CAPÍTULO 1 - VALORES, COLETA DE NOTÍCIAS, FONTES

VALORES: PRECISÃO, IMPARCIALIDADE, CLAREZA, RAPIDEZ

Contents

SEJA O PRIMEIRO A CONSEGUIR A NOTÍCIA; MAS, ANTES DE MAIS NADA, CONSIGA A NOTÍCIA CORRETA.

O correspondente da Reuters está a postos para transmitir a notícia antes de qualquer concorrente. Mas a exatidão e a imparcialidade devem ter prioridade sobre a rapidez. Um erro poderá prejudicar uma reputação fundamentada em inúmeros acertos. Reconfirme os fatos, números, nomes, datas, ortografia e esteja atento a eventuais erros tipográficos. Certifique-se de que o relato é imparcial e comedido, e se será assim considerado pelos leitores.


LISTA DE VERIFICAÇÃO QUANTO A PRECISÃO, IMPARCIALIDADE E CLAREZA

Verifique se as informações incluídas na história estão em consonância com a manchete e, se for o caso, com o Alerta. Em uma matéria de vários takes, verifique a compatibilidade dos USNs. Confirme a data e a hora. Compare todos os números passíveis de verificação com as informações fornecidas. Verifique se a soma de todos os componentes bate com o total – as porcentagens individuais totalizam 100? Verifique novamente o período coberto, as conversões, se os números estão acima ou abaixo. Tome cuidado para não fazer confusão entre milhões e bilhões e verifique se as vírgulas que indicam casas decimais foram colocadas corretamente. Verifique os preços de ações fornecidos mais uma vez. Esteja atento a cálculos efetuados pelo próprio repórter – a história deve especificar a base de cálculo utilizada. Cuidado com a grafia de nomes próprios – certifique-se de que os nomes foram escritos com a mesma grafia do início ao fim do texto. Se o primeiro parágrafo suscitar controvérsias, lembre-se de colocá-lo entre aspas, para se resguardar. Certifique-se de que a história inclua os nomes completos das empresas, dos cargos e funções das pessoas envolvidas e os RICs, tanto no texto como no campo do cabeçalho. Verifique se os RICs desconhecidos e os endereços de sites da Internet mencionados em uma história realmente funcionam. Riscos legais – o relato denigre a reputação de uma pessoa, empresa ou organização? Expõe alguém ao ridículo, ao ódio ou desprezo? Em resumo, a história é imparcial e comedida no que diz respeito a todos os envolvidos? Contexto – a história deixa claro como as informações foram obtidas, por exemplo, através de um jornal, entrevista, coletiva à imprensa? O relato responde à pergunta "E daí?", ou seja, por que essa notícia é importante? Certifique-se de que o material tabular mantém o formato tabular no campo do cabeçalho. E, por fim, se você for o jornalista que encaminhou a história, certifique-se de que ela aparecerá na tela.


COMO COLETAR NOTÍCIAS

CONTE-ME ALGO QUE AINDA NÃO SEI

É isso que os clientes querem. Procure por um fato, ângulo, interpretação e reação nova e explique as implicações, independentemente da matéria – política, economia, assuntos corporativos, mercados financeiros, esportes ou outro tipo de notícia.

VOCÊ É SIMPLESMENTE TÃO BOM QUANTO SUAS FONTES DE INFORMAÇÃO

Um bom profissional cultiva fontes, ou contatos, adquire conhecimentos sobre o conteúdo de seu setor, e é um eterno curioso. Os métodos usuais de cultivar novas fontes incluem lembrar-se dos nomes de fontes citadas por outros meios de comunicação e contatá-las também, comparecer a conferências e eventos pertinentes ao setor, não apenas para produzir histórias, mas para descobrir novas fontes. As listas dos participantes de uma conferência que, em geral, encontram-se disponíveis com os organizadores, são, com freqüência, proveitosas fontes de nomes, cargos e telefones. A Internet também pode ajudar o jornalista a encontrar novas fontes. Os sites da Internet, como o www.profnet.com (rede de mestres universitários) proporcionam acesso a especialistas em ampla gama de assuntos. Você pode, inclusive, localizar assessores da área de relações públicas em corporações e organizações sem fins lucrativos por meio da Internet.

Mas você só saberá o que perguntar, e reconhecerá a importância do que lhe foi dito, se conhecer a história sobre a qual está escrevendo. Fique atento ao Terminal da Reuters, aos jornais e revistas especializadas, aos sites da Internet, ao rádio e à televisão. Um jornalista ocupado demais para devorar notícias é um jornalista que está ocupado demais para realizar seu trabalho com profissionalismo. Durma e acorde com as manchetes.

Escolha suas fontes com cuidado. Não basta que elas produzam boas notícias. Devem também ter consistência e credibilidade. Certifique-se de que a história reflete sua capacitação. Deve ser lida como se tivesse sido escrita por alguém que realmente tem conhecimento sobre o que está escrevendo. Talvez você não consiga contatar suas fontes uma segunda vez se sua história der a entender que você é incompetente ou desinteressado.


COMO ESTABELECER A BASE DE SEU RELACIONAMENTO COM AS FONTES

Quando você estiver tratando com a fonte, seja pessoalmente, por telefone, fax ou e-mail, identifique-se como jornalista da Reuters e deixe claro se está falando on-the-record,-off-the-record ou simplesmente on-background. Nessas situações, on-the-record em geral significa que as informações poderão ser publicadas e atribuídas à fonte, ou seja, a fonte poderá ser citada pelo nome e cargo. Off-the-record, em geral – mas nem sempre – significa que você poderá publicar as informações mas não poderá citar a fonte, isto é, terá de vincular algum palavra, ou expressão, à fonte ( um porta-voz do governo, um diplomata ocidental, um executivo da empresa, um analista do setor, etc.), o que lhe permitirá informar ao leitor como a Reuters obteve a informação, sem, entretanto, identificar diretamente a fonte. Background, em geral – mas nem sempre – significa que a fonte, definitivamente, não permitirá que as informações sejam publicadas, a menos que você consiga obtê-las de um terceiro independente que concorde em ser identificado pelo nome ou por alguma atribuição que não revele a fonte original. O fato é que às vezes as fontes têm opiniões diferentes para declarações on-the-record, off-the-record ou background, portanto certifique-se de que você e sua fonte estejam de acordo e se sintam confortáveis quanto às condições sob as quais as informações serão fornecidas, e até que ponto essas informações podem ser usadas e atribuídas.

ENTREVISTAS

A boa redação começa com a boa coleta de notícias. Durante as entrevistas, perguntas abertas tendem a fazer com que as fontes comecem a falar (Quem fez o que a quem, como e por quê), enquanto perguntas fechadas, que dão margem a apenas um ‘sim’ ou um ‘não’ como resposta, podem ser úteis para fazer com que a fonte confirme ou negue um fato. Lembre-se de obter respostas às perguntas básicas do jornalismo – Quem? O Que? Onde? Quando? Por quê? Como? Procure evitar perguntas subdivididas que, basicamente, possibilitam às fontes escolher a parte que preferem responder. Se houver uma série de perguntas relacionadas, faça as perguntas em seqüência, mas uma de cada vez. Lembre-se de confirmar com as fontes números telefônicos e a grafia de nomes. Se estiver em dúvida ou precisar verificar novamente a identidade de uma fonte a quem contatou por telefone, ligue de novo através de uma empresa, agência governamental ou mesa telefônica de uma organização, para confirmar o nome da fonte, cargo e autoridade para agir como porta-voz.


COMO REGISTRAR INFORMAÇÕES

Registre as informações fornecidas pela fonte, anotando-as por escrito, imprimindo uma cópia de anotações armazenadas no computador ou gravando as conversas. Os jornalistas também são incentivados a aprender taquigrafia. A política da Reuters nas Américas estabelece que os repórteres devem manter anotações, fitas, vídeos ou outras informações obtidas de suas fontes por tempo indeterminado, pois nos Estados Unidos o limite de tempo para propor uma ação por calúnia, infâmia ou difamação varia de Estado para Estado. Muitas vezes, os repórteres coletam informações de maneira semelhante àquela adotada pelo investigador de polícia ou o historiador para reunir provas, e você talvez tenha de comprovar, em um tribunal, a precisão e a imparcialidade de seu relato.

Caso você pretenda usar um gravador, obtenha permissão da fonte para gravar a conversa, pois em algumas jurisdições norte-americanas gravações feitas à revelia podem ser consideradas ilegais. Se você estiver fazendo uma entrevista por telefone com um corretor ou analista, lembre-se de que muitos bancos, fundos ou corretoras de valores gravam, como rotina, todas as conversas telefônicas ocorridas durante as 24 horas do dia, sem divulgar o fato. Às vezes essas fontes verificam a exatidão do que foi dito ouvindo as gravações feitas pela própria empresa.

O JORNALISMO E A ÉTICA

O jornalista deve cultivar suas fontes adotando uma conduta profissional e cortês, e assegurando-lhes que receberão tratamento imparcial por parte dos repórteres da Reuters. Isso se aplica particularmente no caso do jornalismo financeiro, pois em geral o público não tem o direito de obter de informações internas das empresas. Mas mesmo no jornalismo político, em muitos países o público não tem o direito de tomar conhecimento das atividades do governo. Além disso, seria interessante lembrar que as regras estipuladas no Código de Conduta da Reuters devem ser obedecidas no que diz respeito a relacionamentos com fontes, nos quais estão envolvidos brindes, viagens e oportunidades de lucro resultantes de informações internas.


FONTES

Princípios Gerais

Nas reportagens da Reuters, exatidão e objetividade são mais importantes que quaisquer outras considerações. Fontes precisas ajudam o jornalista a se empenhar por ambas e são essenciais a todas as histórias publicadas pela Reuters. A Regra de Ouro é que os assinantes jamais tenham de fazer a seguinte pergunta com relação a um elemento da história: "Como a Reuters tomou conhecimento disso?"

Fontes confiáveis e bem definidas ajudam a proteger a integridade dos registros de pressões externas do público, da manipulação e de riscos como, por exemplo, trotes. Contribuem também para resguardar os jornalistas de riscos legais, primordialmente de processos por crime de calúnia, infâmia ou difamação e de desacato à autoridade de um tribunal.

Os jornalistas devem estudar as diretrizes da Reuters no tocante a riscos legais e informar os desks quando acharem que estão pisando em terreno perigoso. Isso pode ser feito por meio da inclusão da observação (ATENÇÃO EDITOR) após a retranca da matéria (na linha de cy-slug), que poderá deixar de ser publicada até que seja liberada pelo editor sênior do Desk responsável que, se necessário, solicitará aconselhamento editorial ou jurídico adicional. Os correspondentes que enviarem uma história com a observação ATENÇÃO EDITOR devem informar o desk, em separado, dos motivos para tal observação.

Com algumas exceções relacionadas nesta seção, todos os relatos a serem publicados pela Reuters devem ser explicitamente verificados, por duas razões essenciais: permitir que os clientes e outros leitores formem sua própria opinião sobre a credibilidade da história e resguardar a reputação da Reuters caso a história seja contestada.


Qualquer declaração que possa ser alvo de controvérsias deve ser rigorosamente verificada junto às fontes. Isto posto, não devemos neutralizar o impacto de uma história – particularmente de um primeiro parágrafo – fazendo verificações que beirem a indiscrição, se os fatos não estiverem sendo contestados. Por mais que a história tenha sido verificada, precisamos nos assegurar de que é verossímil, imparcial e digna de crédito, sob o aspecto jurídico.

CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES

Um jornalista ou câmera da Reuters são sempre as melhores fontes

As reportagens em primeira mão tratam de fatos e não de opiniões. Nossa presença in loco nos permite "mostrar" as notícias, não apenas relatá-las; e ao fazermos isso, recriamos o quadro mais acurado possível do evento.

A segunda melhor fonte é a que pode ser identificada pelo nome

Ao noticiar o que uma fonte identificada declarou, você estará compartilhando a responsabilidade por essas declarações. Sempre que possível, as fontes devem ser identificadas pelo nome e cargo. Essa maneira específica de citar a fonte dá ao leitor condições de mensurar a exatidão da história, pois ele adquire uma idéia do grau de proximidade entre a fonte e as informações. Embora uma fonte identificada talvez não seja mais confiável que uma não identificada, ela lhe dará maior proteção caso sua história seja contestada. Ajudará também a evitar situações que obriguem o jornalista a proteger a identidade das fontes e, juntamente com fitas gravadas e anotações minuciosas, ajudará a impedir que as fontes neguem que tenham fornecido informações para a história.

As piores fontes são as que não podem ser identificadas

A responsabilidade pela publicação das declarações é exclusivamente sua. Uma fonte importante não identificada é, em geral, alguém de quem se espera razoável conhecimento sobre o assunto a respeito do qual ela está fornecendo informações. Quanto maior a distância entre a fonte e o assunto, menos confiável ela será, portanto nesses casos os repórteres e filers devem questionar a veracidade das informações.

Seguem-se as fontes não identificadas, por ordem de importância:

Fonte competente: tem competência no assunto em questão. Um ministro da Defesa, por exemplo, é uma fonte competente em assuntos relacionados à defesa, mas não necessariamente a finanças. Fonte oficial, como porta-voz da empresa, tem acesso a informações em caráter oficial. Mas a competência dessa pessoa como fonte é limitada a seu campo de atividade. Fontes designadas são, por exemplo, as fontes diplomáticas, fontes de conferências e fontes do serviço secreto. Assim como uma fonte oficial, elas devem ter acesso a informações confiáveis sobre o assunto em questão.


ASPECTOS DO ESTILO DA REUTERS NO TOCANTE A FONTES

Uma fonte identificada pelo nome, bem como pela posição, confere maior credibilidade, por exemplo, o porta voz do Exército, Gaius Tacitus, em vez de um porta voz do Exército. Utilize essa técnica para declarações importantes e/ou controversas, não para informações secundárias de rotina. Mencione uma fonte, não fontes, se tiver apenas uma. Se tiver mais de uma fonte inicial, você não poderá atribuir a elas uma citação direta no decorrer da história. Não escreva, por exemplo, "Este fato irritará o governo romano", declararam as fontes. Em vez disso, use uma construção do tipo "Este fato irritará o governo romano", declarou uma das fontes. Mencione um diplomata e não fontes diplomáticas, uma fonte oficial, não fontes oficiais. A menos que a informação tenha sido fornecida com a condição expressa de não ser atribuída a alguém, escreva a polícia disse em vez de fontes da polícia disseram. Seja o mais específico possível, por exemplo, um executivo presente à reunião em vez de uma fonte oficial, um oficial do exército presente no local em vez de fontes militares, ou funcionários do ministério da Defesa romano em vez de fontes governamentais. Não use a palavra analistas isoladamente na primeira referência; explique a área de especialização, por exemplo, analistas políticos, analistas militares, analistas do setor. Use a frase "que preferiu não ser identificado" e não "recusou-se a se identificar", quando precisar deixar claro que a fonte insistiu em se manter no anonimato. Não é necessário usar essa forma como rótulo toda vez que você citar, por exemplo, um diplomata ou banqueiro. Se você obteve as informações de várias fontes não identificadas, não é preciso citar a fonte em cada item. Cite a fonte genérica, por exemplo, Entrevistas com membros de diferentes tribos galesas mostraram profunda divergência sobre o assunto. Algumas queriam … As expressões: fontes, fontes confiáveis, fontes bem informadas, centros de atividades (quarters), círculos ou observadores estão proibidas quando o repórter citar as fontes dos relatos divulgados pela Reuters. Omita a fonte nas manchetes se o tema da história já incluir as informações, por exemplo, a Companhia de Navegação Carthage navegará por novas rotas é mais aceitável que A Companhia de Navegação Carthage anuncia que navegará por novas rotas. Ao fazer uma reportagem inicial , esforce-se para conseguir no mínimo duas fontes independentes, em prol da imparcialidade. Se você citar fontes não identificadas pertencentes a um lado do conflito falando sobre o que está acontecendo do outro lado, use-as somente para citar fatos, não opiniões. Se um informante quiser fazer ataques injuriosos contra uma pessoa, organização ou país, suas declarações deverão ser gravadas. Pode-se abrir mão dessa regra somente se a fonte for um funcionário graduado fazendo declarações contundentes sobre uma determinada política, o que, obviamente, merece notícia. A história deve deixar claro não só que o informante forneceu as informações de livre e expontânea vontade, como também que é um funcionário autorizado. Se a pessoa não quiser falar mediante essas condições, não devemos usar o relato. Este tipo de história deve começar da seguinte maneira: Na quarta-feira, Gaul acusou Roma da prática de genocídio contra minorias étnicas. O segundo parágrafo seria mais ou menos assim: Em relato à imprensa, um funcionário do governo, que preferiu não ser identificado, declarou... Escreva no slug de uma história desse tipo a mensagem ATENÇÃO EDITOR e, como prefácio, inclua uma explicação sobre as circunstâncias. Consulte seu editor caso esteja sofrendo pressões oficiais para violar essa regra.


ESPERANÇAS E TEMORES

Não use frases que sugiram que você está tomando partido em uma disputa, como por exemplo: Aumentam as esperanças de que César em breve derrotará os galeses. É preciso deixar bem claro de quem são as esperanças. Porém, podemos compartilhar as esperanças e temores comuns à humanidade, por exemplo: Cresce o temor de que 132 mineiros tenham ficado presos...

CIRCUNSTÂNCIAS QUE ENVOLVEM AS DECLARAÇÕES

Deixe claro como as informações foram obtidas, por exemplo: mencionou em declaração, disse aos repórteres em resposta às perguntas ou mencionou em carta aos acionistas. Essas expressões contribuem para o contexto e fortalecem a fonte. Não use a voz passiva para se referir às fontes, por exemplo: foi anunciado, acreditava-se, ficou entendido.

PRESSUPOSTOS

Não use pressupostos ou notícias não confirmadas como base de um relato. Você pode citar comentários sobre as notícias, tecidos por fonte confiável, por exemplo: O ministro disse que não poderia confirmar a notícia de que 100 pessoas haviam morrido. Evite usar a palavra noticiou como fonte em manchetes. Se for forçado a fazê-lo por questão de espaço, especifique a fonte no parágrafo introdutório. Evite escrever... Não se sabe...Na maioria dos casos, essa frase significa que, na verdade, é o repórter que não sabe. É ridículo dizer, por exemplo: Não se sabe quem cometeu o roubo, o assassinato, colocou a bomba. Cite uma fonte em tais casos, por exemplo: A polícia declarou que não sabe...

DECLARAÇÃO DO ÓBVIO

Não há necessidade de mencionar a fonte de declarações óbvias, por exemplo: A destruição de metade de seu exército foi um sério golpe para Roma, declararam analistas militares.

REIVINDICAÇÃO DE AUTORIA DE ATOS EXTREMISTAS

Não incentivamos grupos extremistas a usarem a Reuters como veículo de publicidade. Esse tipo de declaração deve ser tratado com muita cautela. Declarações de um grupo reconhecido, como o IRA, assumindo a responsabilidade pelo seqüestro de um avião ou por um ataque a bomba poderão ser usadas no mérito noticioso e verificadas da maneira usual, caso seja constatado que o incidente realmente ocorreu.

Caso o incidente não seja confirmado de forma independente, o jornalista deve consultar o bureau envolvido, sem demora. Se não obtiver confirmação ou desmentido que possa ser publicado, poderemos, em circunstâncias excepcionais, publicar a declaração, mediante aprovação do editor regional ou do editor de notícias.

Se não for possível confirmar a origem de um comunicado ou chamada telefônica supostamente atribuída a um grupo conhecido ou até então desconhecido, devemos tratar a ameaça com grande cautela. Nunca se deve usar uma chamada ou comunicado sobre um incidente que ainda não tenha sido noticiado de forma independente como base para uma história. Se o telefonema ou comunicado for sobre um incidente já ocorrido, noticie a reivindicação da responsabilidade somente se tiver uma boa razão para acreditar que não é um trote. Nesse caso, informe por que a notícia parece ter credibilidade e que procedimentos você usou para confirmá-la. Não devemos dizer que a Reuters foi informada da reivindicação, mas citar "um bilhete/telefonema recebido por uma agência de notícias internacional". Inclua no slug de todos os relatos sobre tais reivindicações a frase ATENÇÃO/EDITOR.

REUTERS SECURITIES 3000

Quando você for citar números relativos ao Securities 3000, cite a fonte Reuters Securities 3000

RELATÓRIOS BASEADOS EM COMPUTADOR (CAR) E NA INTERNET

Os Relatórios Baseados em Computador (CAR) envolvem a coleta de notícias jornalísticas pela forma tradicional e de princípios baseados nas novas tecnologias, como a Internet, programas de planilhas de cálculos, bases de dados e programas capazes de processar rapidamente enormes quantidades de informações.

A Internet e outros recursos on-line são como muitas outras vias das quais nos valemos para obter informações, e as regras do bom jornalismo devem ser sempre observadas.

Abaixo seguem-se algumas diretrizes básicas para coleta de informações na Internet

As informações coletadas na Internet devem ser atribuídas a sites específicos. Histórias nas quais um determinado site tenha sido consultado como fonte devem incluir o URL (Localizador de Recursos Uniformes, também conhecido como endereço na Web) de cada site mencionado. Os dados devem ser atribuídos à pessoa, empresa, agência ou organização que os forneceu e compilou. Se você tiver coletado dados de um site da Internet, esses dados devem ser atribuídos àquele site, e o URL completo deve ser mencionado. Quando algo não parecer correto, como por exemplo uma diferença percentual, não duvide de seu entendimento, mas sim dos dados, e interprete-os como um ‘sinal vermelho’ advertindo-o da necessidade de uma investigação mais detalhada. É comum uma pessoa ser induzida a interpretações errôneas ao lidar com a Internet. Nunca use um nome mencionado em um e-mail sem antes verificá-lo. A Internet pressupõe privacidade. Contudo, é extremamente transparente. Ao trabalhar on-line, tome as mesmas precauções que tomaria ao se valer de outros meios para coleta de notícias. Tome muito cuidado com a colocação de suas perguntas e opiniões, tanto nas notícias em si como em grupos de discussão, pois são fóruns abertos. Tenha o mesmo cuidado com e-mails. Nunca use material proveniente de discussões ou grupos de notícias sem a devida permissão. Nunca forneça informações enganosas pela Internet, serviços on-line ou qualquer outro meio de comunicação. Identifique-se como repórter. Não use material da Internet cuja fonte não tenha sido citada de maneira a permitir a verificação do autor. A verificação de uma conta pertencente a um serviço comercial não é suficiente – diversas pessoas podem usar a mesma conta on-line, e você precisa saber se está falando com um ministro do Governo ou com seu filho de 12 anos. Quadros para exibição de notícias da Internet e de grupos de discussões devem ser tratados com extrema cautela quanto à autenticidade das fontes e credibilidade das informações. Há milhares de histórias adulteradas ou totalmente inverídicas circulando pela Rede. Verifique todos os fatos coletados na Internet até estar certo de sua exatidão. Isso poderá exigir um mero telefonema (relatório confirmado por telefone) ou pesquisas adicionais, que poderão implicar algumas idas e vindas. A lei de direitos autorais aplica-se também a informações obtidas na Internet, portanto não use material de um site sem permissão, a menos que esteja claro que pode ser usado pelo jornalismo, como declarações de uma empresa ou governo à imprensa. As leis relativas a calúnia, infâmia ou difamação também se aplicam. Siga as mesmas normas adotadas para citar pessoas on-line ao coletar informações por telefone ou pessoalmente. Assegure-se que as pessoas sabem que serão citadas. Ao fazer uma matéria sobre um site da Internet ou serviço on-line, inclua o endereço da Internet (URL) na história. Preste atenção à digitação. Um endereço na Internet é um fato, e deve ser verificado. Confirme se os endereços citados realmente funcionam. Ao fazer uma matéria sobre cyberspace, procure evitar jargões. Por exemplo, em vez de usar termos como grupo de notícias, use grupo de discussão. Quando o jargão não puder ser evitado, como no caso de citações, explique claramente o que o termo ou expressão significa. Se a matéria for de fácil compreensão, prenderá a atenção do leitor.


EM QUE SITUAÇÕES VERIFICAR A FONTE

Você deve citar a fonte de todas as declarações e de todas as histórias, a menos que seja um fato estabelecido ou informações claramente de domínio público, como documentos de um tribunal, ou em exemplos, quando o repórter/fotógrafo estiverem presentes na cena do acontecimento, como:

Roma, 17 de março, (Reuters) – Explosão fez tremer o centro de Roma na quinta-feira, espalhando espessa camada de fumaça sobre o Fórum.

A Reuters tem correspondentes em Roma e um evento dessa natureza é de conhecimento público, ou um repórter poderia realmente estar presente no local. Mas se a explosão tiver ocorrido em uma cidade em que não temos um correspondente, seria preciso recorrer a uma fonte.

PHILIPPI, 17 de março (Reuters) –Forte explosão fez tremer o centro da cidade de Philippi, no Egeu, envolvendo a área em que se concentravam as tropas de Brutus e Cassius em espessa camada de fumaça, declararam residentes.

No primeiro exemplo, porém, seria preciso realizar uma atualização do relato incluindo o número de vítimas, pois tal informação não é de conhecimento público. No caso de um evento não controverso, seria válido começar a história com um parágrafo que não mencionasse a fonte, desde que ela fosse citada com destaque no relato.

LOCALIZAÇÃO DA FONTE NA HISTÓRIA

Procure citar a fonte da história logo nos dois primeiros parágrafos. Quanto mais importante for o relato, menos flexibilidade você terá para colocar a citação a respeito da fonte. Histórias de grande importância devem mencionar a fonte/fontes no primeiro parágrafo. Se o primeiro parágrafo suscitar controvérsias, será necessário citar a fonte ou, no mínimo, qualificá-la, com palavras como, suposta, pretensa, etc.

Nos newsbreak, as fontes devem ser citadas logo nos dois primeiros parágrafos.

Se uma história for muito delicada ou caso se trate de declaração claramente sujeita a questionamentos, cite a fonte logo de início. Escreva, por exemplo, o líder galês Vercingetorix acusa o imperador Júlio César de genocídio. Não escreva: O imperador romano Júlio César cometeu genocídio, declarou o líder galês Vercingetorix.

Se a fonte de uma história for uma pessoa muito importante, em geral a fonte também deve ser citada logo de início. O mesmo é válido se a fonte for frágil. Por exemplo, a secretária de um executivo confirma que o chefe estava a bordo de seu jato particular por ocasião do acidente.

Se a responsabilidade por uma declaração estiver clara, é desnecessário mencionar novamente a fonte.

COMO CITAR FONTES EM ALERTAS

Com raras exceções, os bureau devem citar as fontes em todos os Alertas. Procure fazer esse tipo de citação usando poucas palavras. Por exemplo:

CÉSAR ATRAVESSA O RUBICÃO – NOTICIÁRIO TELEVISIVO AO VIVO

MORRE POMPEU – PORTA VOZ DO SENADO

CÉSAR É ESFAQUEADO – TESTEMUNHA OCULAR DA REUTERS

Nos Alertas não é preciso citar as fontes quando se tratar de indicadores econômicos projetados ou de resultados de ganhos de empresas quando a origem oficial está clara, ou quando se trata de um evento agendado, por exemplo, uma inauguração, pelo presidente, que deva ter lugar em público:

ROMA ELEVA JUROS DE EMPRÉSTIMOS OFICIAIS DE 0,25% PARA 5,0%

Um desk poderá transmitir um alerta sem citação sobre as fontes somente no caso de reportagens sobre eventos agendados, por exemplo, uma coroação ou inauguração, pelo presidente, que deva ter lugar em público.

Nos casos em que a Reuters foi testemunha ocular do fato, localize a fonte em seu primeiro newsbreak da seguinte maneira:

O imperador romano Júlio César foi esfaqueado 23 vezes em Ides of March quando participava de um encontro de senadores, liderado por Casca e Brutus, noticiou um correspondente da Reuters que se encontrava presente no local.

Ou, alternativamente:

O fotógrafo da Reuters Gaius Tacitus viu soldados do rei egípcio Ptolomeu XIII arrastarem o generalíssimo Pompeu para um pátio e o executarem.

Raramente a Reuters usa a primeira pessoa para descrever uma situação, e somente abaixo da linha na qual consta o nome do repórter, por exemplo ao noticiar um assassinato ou uma visita ao local de um massacre. Use a primeira pessoa não para expressar suas emoções, mas para transmitir a proximidade e o impacto de um evento e as emoções das pessoas que lá se encontravam.

HISTÓRIAS VÍVIDAS OU EXPRESSIVAS (BRIGHTS)

Você deve confirmar a autenticidade de uma história vívida ou identificar a expressividade de uma notícia antes de enviá-la para publicação, mas não a destrua com citações desajeitadas. Se os habitantes da vila de Montepulciano fabricaram e comeram a salsicha mais longa do mundo, não é .preciso atribuir a informação a fontes locais. Use o bom senso.

ANÁLISES/FEATURES

Análises e features devem ser minuciosamente verificadas junto às fontes. Mais uma vez, seja o mais específico possível, identificando as fontes claramente, a fim de determinar sua capacitação no assunto.

RUMORES E REPORTAGENS SOBRE O MERCADO

As fontes confiáveis devem permitir que o jornalista da Reuters noticie fatos, não rumores. A Reuters não noticia rumores.

Contudo, os rumores, incluindo relatórios à imprensa não confirmados e especulações sobre transações, podem afetar mercados financeiros internacionais e criar situações difíceis para a reportagem. Caso um rumor provoque um movimento significativo em um mercado, a Reuters tem o dever de dizer a seus leitores que o mercado está se movimentando devido ao rumor, e de informá-los sobre as providências que tomou para verificar a veracidade do rumor.

Os procedimentos para noticiar rumores que afetam um mercado são os seguintes:

  • Verifique se o mercado está, de fato, apresentando substancial movimentação.
  • Verifique se os rumores já se espalharam amplamente, contatando no mínimo duas fontes independentes e perguntando-lhes por que o mercado está se movimentando. Não mencione os rumores às fontes, pois se o fizer você mesmo correrá o risco de espalhá-los. Se diferentes fontes independentes mencionarem os mesmos rumores, por conta própria, você pode ter certeza de que já estão bem espalhados.
  • Tente, sem perda de tempo, determinar se o rumor é verdadeiro ou falso.
  • Se você não conseguir obter uma confirmação ou desmentido, noticie que o mercado está se movimentando devido aos rumores, citando fontes para documentar a existência dos rumores e explicando por que os rumores estão colocando o mercado em alta ou em baixa. Informe também o leitor sobre as providências que a Reuters tomou para tentar verificar os rumores, e diga que nenhuma confirmação ou desmentido pôde ser obtido. Certifique-se de ter dito ao leitor tudo que sabe, mesmo se o melhor que conseguir for um "sem comentários" ou "não havia um porta-voz disponível para fazer comentários sobre os rumores". (observação sobre estilo: não escreva rumores não confirmados. Um rumor é, por definição, não confirmado.)
  • Após escrever a reportagem sobre o mercado, tente verificar novamente a veracidade dos rumores.
  • Após obter a confirmação ou desmentido sobre os rumores, dê a notícia na forma de relato separado sobre a situação.
  • A seguir, atualize a reportagem sobre o mercado, incluindo a confirmação ou desmentido sobre os rumores e a reação do mercado diante da confirmação ou desmentido. Acrescente confirmado mais tarde ou desmentido mais tarde a qualquer referência subsequente aos rumores como a causa dos eventos.
  • Se o mercado estiver se movimentando substancialmente ou os rumores forem particularmente sérios, informe seu editor imediatamente e, se necessário, envie uma mensagem de serviço aos outros bureaus, para ajudar na obtenção da confirmação ou do desmentido.


LEI DA MÍDIA SOBRE FONTES

REGRAS SOBRE RUMORES

Os jornalistas, assim como os historiadores e os advogados, precisam validar seus relatos com dados factuais. Em um tribunal, os advogados validam suas causas convocando testemunhas. Os jornalistas validam seus relatos recorrendo a fontes confiáveis. Mas o Direito Probatório é importante tanto para advogados como para jornalistas, pois os jornalistas e seus subordinados podem ser processados por calúnia, injúria ou difamação.

Em um tribunal, a declaração da testemunha A sobre o que a testemunha B disse sobre a testemunha C é apenas prova do que a B disse, não da verdade, de fato, do que a B disse sobre a C. Tudo o que a declaração de A prova é que foi a B quem disse, não que a declaração de B é, necessariamente, a verdade.

A lei sobre rumores é a lei de exclusão mais importante do Direito Probatório. Essa lei foi criada para evitar que declarações feitas por terceiros, que não estejam presentes no tribunal, sejam consideradas como provas da questão a ser validada. Se uma das partes não estiver presente no tribunal, não poderá ser interrogada minuciosamente, e se não puder ser interrogada, o júri não terá nenhum respaldo para julgar sua credibilidade.

Portanto, os jornalistas devem também tomar muito cuidado ao usar declarações de uma determinada fonte com relação a um assunto sobre o qual tal fonte não tem conhecimento direto ou de primeira mão.

Por exemplo, se um corretor diz que o preço da prata subiu porque a Bloomberg noticiou que Crassus, banqueiro de César, declarou que a economia romana estava se expandindo rapidamente, você não poderá escrever: O preço da prata aumentou na segunda-feira depois que Marcus Licinius Crassus, o homem mais rico de Roma e banqueiro de Júlio César, declarou que a economia romana estava se expandindo rapidamente, antes de fazer uma verificação independente, a saber: (1) que o preço da prata realmente aumentou; (2) o que, de fato, Crassus declarou; e (3) que foi em conseqüência da declaração de Crassus que o preço da prata aumentou.

Da mesma forma, se a Tiber Trading Corp fizer uma declaração à imprensa informando que entrou com um processo no Tribunal Municipal de Roma contra a Carthage Holdings Co devido a infração contratual, você não deverá escrever: Na segunda-feira a Tiber Trading Corp entrou com um processo no Tribunal Municipal de Roma contra a Carthage Holdings Co por infração contratual, a menos que tenha realmente verificado os arquivos de processos e constatado que isso realmente aconteceu. Mas você poderia escrever: Na segunda-feira a Tiber Trading Corp declarou que entrou com um processo no Tribunal Municipal de Roma contra a Carthage Holdings Co por infração contratual. Mas se você for relacionar as graves acusações que a Tiber Trading Corp disse estar fazendo contra a Carthage Holdings Co, deve agir com cautela se não estiver citando as acusações constantes dos documentos oficiais, do contrário correrá o risco de repetir uma declaração potencialmente difamatória.

FONTES CONFIDENCIAIS NOS E.U.A

É importante perceber os riscos legais associados à confiança que se deposita em fontes secretas. Muitas jurisdições norte-americanas determinaram que seria injusto que os querelantes em processos por calúnia, injúria ou difamação permitissem à imprensa contar com fontes secretas para se defender e, ao mesmo tempo, negarem-se a revelar o nome dessas fontes.

Isso cria um impasse para a imprensa. Por um lado, se a imprensa se negar a identificar uma fonte secreta não poderá contar com aquela fonte ao se defender em um processo por injúria, calúnia ou difamação. Assim, a imprensa freqüentemente dá a impressão de estar escrevendo pedaços de uma história sem ter nenhuma fonte real.

Por outro lado, existem obstáculos éticos e jurídicos para a identificação de fontes secretas. A Suprema Corte norte-americana afirma que , sob certas circunstâncias, uma fonte secreta poderá processar a imprensa e obter ressarcimento de danos caso o nome da fonte seja revelado sem seu consentimento.

Em conseqüência disso, a promessa de sigilo não deve nunca ser concedida irrefletidamente e, em geral, só depois que o jornalista consultar um editor-chefe, chefe de bureau ou editor sênior.

LEIS DE PROTEÇÃO E LEIS DE ACESSO NORTE-AMERICANAS

A Primeira Emenda à Constituição norte-americana e as chamadas leis de proteção aprovadas em cerca de 26 estados norte-americanos proporcionam certa proteção à imprensa contra pressões para revelar fontes secretas e/ou informações confidenciais obtidas de fonte conhecida.

Normalmente, os tribunais exigem a divulgação somente quando (a) não existem fontes alternativas além do jornalista, (b) o caso não é irrelevante; e (c) a informação é fundamental para o caso.

A Primeira Emenda e os estatutos de vários estados estabelecem também direitos de acesso, pela imprensa, a certos processos e registros públicos ou quase públicos.

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