CAPÍTULO 2 - MATEMÁTICA PARA JORNALISTAS

PORCENTAGENS, INDICADORES ECONÔMICOS, ORÇAMENTOS DO GOVERNO, CONTABILIDADE DE GANHOS EMPRESARIAIS, VALOR ESTIMADO DE FUSÕES E DESVALORIZAÇÕES DE MOEDAS


Os repórteres e deskers da Reuters passam boa parte de seu tempo lidando com números. Isso ocorre em três níveis:

  • Aritmética básica: Os repórteres e deskers devem verificar as contas de adição, subtração, multiplicação, divisão e percentuais.
  • Como verificar a fonte de cálculos feitos pelo próprio repórter: Os cálculos devem ser verificados demonstrando a origem dos números e procedimentos utilizados nos cálculos. Por exemplo, de acordo com os registros da SEC (Comissão de Valores Mobiliários) norte-americana no dia 31 de março, havia 100.000 ações emitidas, e no fechamento do mercado na quarta-feira, o preço da ação da empresa XYZ era $ 5,00, levando a uma capitalização de $ 500.000.
  • Como verificar cálculos complexos que não tenham sido feitos pelo repórter – Cálculos complexos que não tenham sido feitos pelo repórter, avaliações de fusões (incorporações) envolvendo swaps de ações e assunção de dívida, devem ser atribuídos a uma empresa ou analista.


Contents

PORCENTAGENS

Como calcular porcentagens:

Freqüentemente você terá de calcular a porcentagem de um número com relação a outro. Por exemplo, qual é a porcentagem do orçamento da polícia com relação ao orçamento total do município? – Se o orçamento da polícia totalizar $ 3.253.506 e o orçamento total do município, $ 49.294.234:

Como calcular porcentagens

Em 1980, a população era de 5.835.926 pessoas. Em 1970, de 5.656.291. O "novo número" refere-se a 1980 e o "antigo", a 1970, portanto...

Outra maneira de calcular variações percentuais:


INDICADORES ECONÔMICOS: ESTATÍSTICA PARA JORNALISTAS

Esta seção aborda as áreas problemáticas em relatos que incluem estatísticas. Começaremos com os erros mais comuns e, a seguir, trataremos de alguns detalhes relativos a problemas de difícil resolução:

ERROS COMUNS

Os repórteres escrevem sobre estatísticas que sobem, descem, etc., sem fornecer os períodos que estão sendo comparados. O que se segue é a maneira errada de executar essa tarefa:

O índice subiu 4,7 pontos percentuais entre abril e setembro de 1998.

Quando então ocorreu o aumento do índice? Entre o final de abril e o final de setembro? Entre o final de março e o início de setembro? Entre esse período e os seis meses anteriores? Ou entre abril e setembro de 1997 e abril e setembro de 1998? Não é possível dizer. Portanto, eis aqui a regra: Toda referência a mudanças ( alta, queda, crescimento ou retração, etc.) deve fornecer os dois períodos entre os quais a mudança ocorreu.

Você deve especificar os dois períodos ou usar alguma qualificação, como, por exemplo, desde o ano passado, o que permite ao leitor saber, com certeza, quais são esses dois períodos. Em algumas circunstâncias você poderá confiar no que está subentendido. Em relatos de mercado diários, por exemplo, em geral fica subentendido que as altas e as baixas referem-se ao fechamento anterior. Normalmente, as qualificações são trimestral, ano-a-ano (melhor) e do ano anterior. Observe que ano-a-ano é jargão, portanto use essa qualificação com parcimônia. (Ver seção abaixo sobre Níveis, Mudanças de Níveis e Mudanças em Mudanças.)


  • O PIB (Produto Interno Bruto) não é medido em percentuais e sim em dinheiro. O crescimento do PIB é que é medido em percentuais. Portanto, não escreva O PIB foi de 2% no ano passado.
  • A inflação é confundida de modo inverso: vemos relatos dizendo que a inflação subiu 2%. Na verdade, foram os preços que subiram 2%, e a inflação naquele período foi de 2%.
  • As taxas de câmbio muitas vezes confundem as pessoas. Como o dólar norte-americano é atualmente a moeda das reservas mundiais, a maioria das moedas de outros países são cotadas em relação ao dólar norte-americano para exemplificar a quantia da moeda em questão que poderia ser comprada com dólares. Se o dobrão variar de 2,0 dobrões por dólar para 3,0 dobrões por dólar, não significa que perdeu 50% de seu valor em relação ao dólar – perdeu 33%. Isso é porque seu valor inicial era de metade de um dólar e agora é de 1/3 de dólar. Se a taxa se alterar de A para B, então a variação do valor da moeda = (A-B) / B * 100%. Usando o dobrão como exemplo: (2-3) / 3 * 100% = -33%. Mas observe que o euro, a libra esterlina britânica, o dólar australiano e o dólar neozelandês são cotados da maneira inversa, para saber quantos dólares norte-americanos cada moeda poderá comprar. Antes da Segunda Guerra Mundial, a libra esterlina britânica era a moeda das reservas mundiais e muitas moedas da Commonwealth estavam a ela vinculadas.
  • Algumas estatísticas são relevantes apenas com relação a um determinado momento, em geral citado na forma de data. Para os outras, você deverá especificar um intervalo, como um mês. Por exemplo, os repórteres, erroneamente, dizem que as reservas externas foram xxx em um trimestre quando, na verdade, teriam variado de dia para dia durante o trimestre, e é preciso informar a momento exato, normalmente o último dia do trimestre. Por outro lado, não se deve vincular dados que precisam de intervalo ( por exemplo, receita do governo durante um determinado período) a uma única data. (Ver seção abaixo sobre Conceitos Básicos)
  • Ponto percentual não é uma forma sofisticada de informar porcentagens; é a unidade para medir a diferença entre elementos que são medidos em percentuais. Se a taxa de desemprego subiu de 4% para 6%, então subiu dois pontos percentuais, não 2%. Ponto-base é o termo usado em mercados de dívidas para um centésimo do ponto percentual. Mas é jargão, portanto evite usá-lo em matérias que não sejam sobre mercados de dívidas.
  • As comparações são necessárias, mas o período escolhido para a comparação pode, às vezes, ser mais recente do que o de um ano atrás. Se os dados não forem sazonais, indique o período anterior em vez de – ou além do – mesmo período do ano anterior.
  • Taxas – freqüentemente, não ficam claramente definidas. Uma taxa é apenas uma coisa dividida por outra, mas raramente explicamos o que essas duas coisas representam. Portanto, se o índice da poupança representar a relação entre a poupança e as receitas, deixe isso claro. Os índices de desemprego são outro exemplo. O índice de desemprego ou percentual é a fração dos trabalhadores disponíveis que estão sem trabalho (conforme definição do governo) dividida pelo número de trabalhadores pertencentes à força de trabalho (não a população total).
  • Os relatórios fiscais do governo deveriam enfocar o saldo do orçamento do governo – o déficit ou o superávit – a menos que este seja, rotineiramente, zero. Caso seja, você deve informar. Ao citar dados fiscais, certifique-se de especificar o período.
  • Tabelas: são muito úteis. Se sua história for constituída de um mar de números, talvez você deva eliminar os textos e incluir uma tabela.
  • Dados nacionais de grande importância são, com freqüência, mais bem expressos como fração do PIB anual: Por exemplo, os investimentos devem apresentar aumento de $ 8,9 bilhões no próximo ano, 17% do PIB. Esse tipo de informação é muito útil para leitores de outros países.


CONCEITOS BÁSICOS: ESTOQUES E FLUXOS

Você deve saber se está falando sobre ações (ou inventário) ou sobre fluxo. Esses termos não são usados em matérias jornalísticas, mas se não souber reconhecê-los, cometerá erros.

Imagine uma quantidade de água sendo despejada em um tanque. A quantidade de água no tanque em um determinado momento é o estoque ou inventário. Para descrevê-lo, você precisa dizer quanta água havia no tanque e mencionar o momento exato em que existia aquela quantidade de água: Há 1.000 litros de água no tanque agora, ou havia 900 litros no tanque às 14:00 horas. Mas a taxa à qual a água está sendo despejada representa o fluxo. Para descrever o fluxo você precisa fornecer a quantidade que entrou no tanque e o período em que isso aconteceu: 180 litros nos últimos 10 minutos.

Portanto, estoque é a quantidade existente em um determinado momento, não durante certo intervalo de tempo. Exemplos típicos de estoque: dívidas, reservas externas e emprego. Embora esses números possam ter aumentado ou diminuído durante certo período, têm um determinado valor apenas em um determinado momento, normalmente citado em forma de data. É preciso especificar esse momento. Portanto, devemos dizer, por exemplo, o passivo externo bruto era de $ 180 bilhões em 30 de junho. Não que as dívidas da empresa eram de $ 1,3 bilhões no ano até 31 de março.

Para complicar um pouco as coisas, você pode ter o nível médio de um estoque citado para um intervalo de tempo. Portanto, está certo dizer que, em 1998, a dívida da empresa era, em média, $ 1,3 bilhão. Para alguns dados de estoque, a média já está implícita. Dizemos que, em março, a taxa de emprego era de 4,2 milhões, embora, estritamente, esse número deva corresponder à taxa média de emprego, uma vez que o número de pessoas empregadas poderia ter flutuado no decorrer do mês.

Fluxo é a sucessão de algo ao longo do tempo, e é preciso especificar o intervalo pertinente. Os fluxos incluem: PIB, déficits de contas correntes, lucros, receitas, vendas de veículos, colheitas de maçãs. Mas há uma infinidade. A maior parte dos números com os quais lidamos são fluxos, e normalmente são medidos em meses, trimestres ou anos.

Portanto, não devemos dizer: o déficit da conta corrente em 30 de junho era de $ 18,7 bilhões. Como fluxo, a conta corrente precisa de um intervalo para definição: O déficit da conta corrente dos últimos seis meses até 30 de junho era de..

NÍVEIS, VARIAÇÕES DE NÍVEIS E VARIAÇÕES DE VARIAÇÕES

Normalmente, uma estatística é a variação de alguma coisa – aumento, queda, crescimento, expansão, retração, etc. Mas certifique-se de que sabe se o nível de alguma coisa está sofrendo alguma variação, ou se a variação está sofrendo variações.

Eis um exemplo: O PIB em um determinado ano é $ 100 bilhões. No ano seguinte, é $ 120 bilhões, portanto o PIB cresceu 20% entre os dois anos. O novo nível é de $ 120 bilhões e a variação, de 20%. No terceiro ano, o PIB é $ 132 bilhões. Agora a variação é de 10%. O nível sofreu variação, e a variação também sofreu variação. Quando as pessoas ficam confusas com isso dizem coisas do tipo o PIB caiu, quando, na verdade, foi a taxa de crescimento do PIB que caiu. Na verdade, o PIB aumentou, mas não tão rapidamente quanto antes.

Erro semelhante aparece com freqüência em relatos sobre inflação. A inflação é, por definição, uma variação no nível de alguma outra coisa : dos preços. Portanto, não devemos dizer: a inflação subiu 1,2% em 1997, quando foram os preços que subiram.. Na verdade, a inflação foi de 1,2%. É claro que a inflação (o índice de variação) propriamente dita pode subir. Se isso acontecer, devemos dizer que ela cresceu X% sobre os X% anteriores, ou que cresceu X pontos percentuais.

Como descrever variações – altas e baixas, crescimento, etc....

A maioria das ambigüidades quando os repórteres escrevem sobre estatísticas ocorre porque não deixam claro que períodos estão sendo comparados. Mas se estivermos falando de alta ou baixa dos dados, é preciso que haja dois períodos envolvidos. Não se pode estabelecer uma variação sem mencionar dois períodos, e nenhuma variação pode significar alguma coisa a menos que o leitor saiba quais os dois períodos sobre o qual o repórter está falando.

Estas são as maneiras mais comuns de calcular índices de crescimento:

Para dados de fluxo, a relação entre o valor referente a um mês, trimestre ou ano inteiro, ou ano e o valor referente ao mês, trimestre ou ano, um ano depois. Para dados de estoque, entre o nível de um determinado dia e o mesmo dia do mês, trimestre ou ano, um ano depois. Mas dados de estoques podem também ser comparados com o valor médio em qualquer dia do mês, trimestre ou ano com o valor médio de qualquer dia, ou ano depois. Nos Estados Unidos e em alguns outros países, as variações do PIB de um trimestre para o seguinte são anualizadas: a grosso modo, são multiplicadas por quatro para mostrar como a variação trimestral se compara ao índice anual. Não use a anualização a menos que isso seja realmente o que você quer dizer. Só porque há muitas formas de medir variações, não devemos presumir que os leitores sabem sobre o que estamos falando. É preciso ser específico. Mas lembre-se de que você pode ser menos específico à medida que a história se desenrola. Uma vez você tenha deixado claro que seus cálculos sobre o aumento do índice de emprego representam a variação entre os meses de um ano à parte, poderá defini-la ou chamá-la de variação anual com menos freqüência.

A seção que se segue relaciona algumas maneiras recomendáveis, aceitáveis e não aceitáveis de escrever sobre altas e baixas em estatísticas. A relação certamente não é extensa, mas mostra que se existe uma maneira de escrever sobre estatísticas é aquela em que as descrições mais corretas são, em geral, as mais tediosas, mas a forma mais interessante de escrever é, em geral, a menos clara e menos precisa.

Em todos os exemplos afirmamos que você poderia substituir quaisquer dados de fluxo pelo PIB. (Tente fazê-lo com ganhos, vendas a varejo ou carregamentos de óleo de palmeira). Você talvez opte por um dos estilos recomendados – aquele com o qual se sente mais confortável – e usá-lo em alerts.


Estilos Recomendados:

O PIB subiu 2,2% entre o terceiro trimestre de 1997 e o de 1998. Isso expressa exatamente o que aconteceu. O PIB durante o terceiro trimestre de 1998 foi 2,2% mais alto do que no terceiro trimestre do ano anterior.

O PIB foi 2,2% mais alto no terceiro trimestre do que no ano anterior. Isso está perfeitamente claro, mas muito desinteressante. Só use esse tipo de redação quando precisar ser absolutamente claro.

O PIB cresceu 2,2% durante (mas não no) o ano até o terceiro trimestre. Muito bom. A palavra durante deixa claro que o crescimento ocorreu durante aquele ano, mas não em comparação com o ano anterior. Seria errado dizer durante o ano até setembro ao se referir a dados trimestrais.

O PIB do terceiro trimestre ficou 2,2% acima daquele do trimestre anterior. (ou do ano anterior).

O PIB de 1998 apresentou crescimento de 2,2% em comparação com o PIB do ano anterior inteiro.

Os preços médios anuais mostraram aumento de 3% entre 1997 e 1998. Não é ambíguo, mas preços médios anuais exigem que o leitor pense um pouquinho.

Os preços médios de 1998 subiram 3% comparados ao ano anterior. Os preços médios de 1998 apresentaram aumento percentual de 3% em comparação com os de 1997?.

Estilos aceitáveis:


O PIB cresceu 2,2% no terceiro trimestre em comparação com o ano anterior (ou com o mesmo período do ano anterior). Esse é um estilo comum e sem ambigüidades. Mas não é muito preciso, pois a alta não ocorreu, de modo algum, no terceiro trimestre – aconteceu ao longo do ano até o referido trimestre.

O PIB cresceu 2,2% no terceiro trimestre, ano-a-ano. Essa forma apresenta o mesmo problema de defasagem do exemplo anterior. Além disso, ano-a-ano é jargão, e deve ser evitado. Há muitas alternativas.

O PIB cresceu 2,2% em 1998. Implica certa relatividade, mas é bastante comum. A pessoa, invariavelmente, quer dizer 2,2% de crescimento no ano de 1998 comparado ao crescimento de todo o ano de 1997, mas alguns leitores podem entender a sentença literalmente e presumir que o PIB ficou 2,2 pontos percentuais acima no final de 1998 do que estava no início do ano.

O PIB cresceu 2,2% em 1998 em comparação com o ano anterior. Melhor. Em todo o ano anterior seria melhor ainda.

O PIB cresceu 2,2% no terceiro trimestre. Aceitável se significar a variação comparada ao trimestre anterior. Mas se estiver descrevendo a variação comparada ao ano anterior, então estará errado e, provavelmente, justifica correção.

A inflação ano-a-ano do terceiro trimestre foi de 3%. Talvez seja mais exato falar sobre o que aconteceu com os preços (como nos exemplos recomendados acima) do que sobre o que aconteceu com a inflação. Estilos inaceitáveis:

O crescimento anual do PIB foi de 4,2% no primeiro trimestre. Claramente, alguma coisa está sendo comparada com alguma coisa de um ano atrás, mas não sabemos exatamente o que é. Porém, esse estilo seria perfeitamente aceitável (e até mesmo recomendado) mais adiante na história, uma vez o jornalista tenha deixado bem claro, várias vezes, que tipo de cálculo "anual" está sendo feito.

O PIB cresceu 2,2% no ano, até 30 de junho. Os leitores não saberão se a comparação está sendo feita entre os segundos trimestres ou entre dois anos consecutivos.

A inflação de 1998 foi de 3%. Totalmente ambíguo.

A inflação foi de 3% no terceiro trimestre. Dá idéia de que os preços do terceiro trimestre foram comparados com os preços do ano anterior, mas não está absolutamente claro.

Há um erro relacionado com esse tipo de informação que os Desks freqüentemente detectam: o repórter fala sobre o maior crescimento trimestral do ano corrente quando quer dizer que o trimestre apresentou crescimento maior ao longo do mesmo trimestre do ano anterior que em qualquer outro trimestre do ano corrente. Não se pode chamá-lo de crescimento trimestral quando o crescimento ocorreu ao longo do ano anterior. Além disso, crescimento trimestral é compreendido, internacionalmente, como a variação entre dois trimestres sucessivos.

Se seu relato misturar formas diferentes de cálculo, como ocorre em muitos, você deve então ser rigoroso na escolha das palavras. Normalmente, o repórter vai querer citar o último trimestre comparado com um ano anterior, e então continuar falando sobre a previsão do governo para o nível do ano inteiro comparado com o do nível do ano anterior inteiro. Em circunstâncias tão confusas, não podemos ser vagos.


SAZONALIDADE, VOLATILIDADE E DEFASAGEM

Escrever sobre estatísticas quase sempre é tentar distinguir uma tendência: o verdadeiro empuxo dos dados, independentemente de efeitos sazonais e da volatilidade. Precisamos também distinguir quando a tendência mudou – quando o crescimento se transformou em recessão, por exemplo, o que significa minimizar as defasagens nos dados, se possível, e sempre escrever de forma a revelar essas defasagens, em vez de fingir que não existem.


Sazonalidade:

Os repórteres e os redatores da Reuters entendem bem o problema de comparar dados de dois períodos separados pertencentes ao mesmo ano: os dados podem ser habitualmente mais pronunciados em uma determinada parte do ano do que em outras. Exemplo simples é o de vendas a varejo, que, na maioria dos países, aumenta muito antes do Natal – portanto não significa muito dizer que as vendas de fevereiro foram menores que as de dezembro.

Esse fenômeno – sazonalidade – não se limita apenas a uma determinada época do ano. Um mês pode ser melhor porque tem mais dias úteis. Até mesmo o número de quintas-feiras em um trimestre pode afetar os dados se alguma coisa acontecer uma vez por semana, por exemplo, às quintas. Os ajustes sazonais têm como objetivo nivelar todos esses padrões.

Ao citarmos dados ajustados sazonalmente, podemos compará-los com valores anteriores, independentemente da época. Portanto, o déficit comercial do terceiro trimestre ajustado sazonalmente pode ser comparado àquele do segundo trimestre. Talvez seja esclarecedor também compará-lo com os dados do ano anterior, mas não é necessário fazê-lo.

Dados que cobrem um ano inteiro têm pouca ou nenhuma sazonalidade. Quando se trata, por exemplo, de vendas de carros dos últimos 12 meses até 31 de março, talvez seja legítimo compará-las com as vendas de carros dos últimos 12 meses até 28 de fevereiro. Observe que isso inclui mudanças ocorridas no decorrer do ano. Portanto, o aumento do PIB entre o terceiro trimestre de 1998 e o de 1999 pode ser legitimamente comparado com o aumento entre os segundos trimestres. Se quiser, poderá comparar dados que cobrem o ano todo com os do ano anterior, mas não é necessário fazê-lo

Dados não ajustados que cubram menos de um ano devem ser comparados com o mesmo período do ano anterior. Há duas exceções: dados que, de acordo com seu conhecimento, não são sazonais; e dados que talvez tenham apenas uma certa sazonalidade, que você poderá usar se reconhecer tal sazonalidade e fornecer comparação com o ano anterior.

Observe que devido ao fato de a sazonalidade implicar efeitos no calendário outros que a época do ano, você não poderá eliminá-la inteiramente em comparações com o ano anterior. Se as maçãs forem colhidas às segundas e quartas-feiras, por exemplo, o mês mais recente pode apresentar colheita melhor apenas porque há mais segundas e quartas-feiras no mês em questão do que no mesmo mês do ano anterior. Portanto, mesmo para comparações com o ano anterior, use dados ajustados sazonalmente, se estiverem disponíveis.


Volatilidade

A falta de conhecimento dos jornalistas sobre volatilidade é a principal razão pela qual muitos analistas profissionais vêem a mídia com certo desprezo.

Não maximize a importância de um simples movimento em uma série de dados voláteis. Se os dados forem habitualmente voláteis, você deve dizer isso –mencionando, talvez, outros movimentos recentes para ilustrar a volatilidade – ou deve atribuir peso igual a movimentos de maior duração que eliminem a volatilidade. Sua tarefa é discernir e descrever a tendência. Ninguém se importa com o mais recente movimento em uma série de movimentos bruscos; o que importa é a verdadeira tendência dos dados –se estão indicando aumento ou queda, e qual a intensidade.

O parágrafo que se segue descreve, com fidelidade, um grande movimento entre uma série de movimentos voláteis, evita a dramatização exagerada e tenta fazer com que o leitor saiba qual parece ser a tendência do movimento:

A venda de refrigeradores coreanos saltou para 130.200 unidades ajustadas sazonalmente em janeiro, alta de 5,2% em comparação com o mês anterior, e de 3,0% em comparação a janeiro do ano anterior. Embora o grande aumento tenha sido precedido por queda de 2,8% em dezembro, desde junho todos os meses têm mostrado crescimento de, no mínimo, 2% em comparação ao ano anterior.

Observe que os dados de curto prazo são mais voláteis que os de longo prazo. Essas vendas de refrigeradores coreanos provavelmente mostrarão tendência firme se forem feitas comparações com os dados do ano anterior. Ma s isso introduz o problema de defasagem.

A necessidade de colocar a volatilidade de curto prazo. (ruído estatístico) no contexto é tão importante quanto a própria função de redigir matérias de mercado. A Down Jones Industrial Average (Média Industrial Dow Jones ) não cai vertiginosos 100 pontos quando a faixa média de altas e baixas no mesmo dia (medida ao longo do mês anterior) é de 110 pontos. De forma semelhante, os títulos de 30 anos do Tesouro não sobem ou caem um ponto inteiro quando mudança de um ponto pleno (32/32nds) ocorre regularmente. Reserve os termos caiu ou subiu vertiginosamente, ou termos semelhantes para movimentos que sejam realmente significativos com relação a recentes atividades de um determinado mercado. Uma das melhores maneiras de fazer rápida verificação visual para confirmar se o movimento de um mercado é realmente significativo, ou para verificar se a volatilidade causou mudanças na tendência geral, é consultar o gráfico de preços da atividade em questão para verificar as mudanças (de hora em hora, diariamente, semanal ou mensalmente) usando o Reuters Graphics.


Defasagens:

Na verdade, gostaríamos de falar sobre o que está acontecendo neste momento, pois somos jornalistas, não historiadores. O problema é que nunca temos dados deste preciso momento–nem deste momento, nem de hoje, nem mesmo desta semana. Da semana passada, talvez. Mas desta semana, não.

Mesmo se tivermos dados bem recentes – digamos , do último mês – isso não significa nada a menos que os comparemos com dados de um período anterior –digamos, do mês anterior. Poderemos constatar, por exemplo, que nossos dados mostram alta entre janeiro e fevereiro. Mas observe que não mais estamos falando sobre um evento ocorrido em fevereiro. Agora estamos falando sobre algo que ocorreu entre janeiro e fevereiro – que não é fevereiro, é um período um pouquinho anterior. "Mas isso importa"? você perguntará. Naquele exemplo, não muito. Mas no exemplo que se segue importa, e muito.

Digamos que o produto interno bruto (ou os lucros de uma empresa, a taxa de natalidade – seja o que for) foi 2,3% maior no terceiro trimestre de 1999 que no terceiro trimestre de 1998. Portanto hoje, no final de 1999, se dissermos que o crescimento do PIB é de 2,3%, estaremos errados. Foi de 2,3% Não temos idéia do número atual, pois estamos no quarto trimestre.

Tudo bem; informamos então que o crescimento do PIB foi de 2,3% no terceiro trimestre de 1998. Errado, de novo. Foi de 2,3% entre o terceiro trimestre de 1997 e o de 1998. Não agora, nem mesmo no terceiro trimestre, e sim ao longo do ano todo encerrado junto com o terceiro trimestre. Nossos dados sobre o crescimento do PIB são, de fato, bastante antigos. Estão defasados. Isso significa que esses cálculos só mostrariam o momento decisivo da mudança nos dados depois de vários trimestres de ela ter ocorrido. Portanto, a primeira frase do parágrafo que se segue estaria errada.

Números oficiais demonstram que o consumo de petróleo aumentou em setembro. O consumo aumentou 2,3% desde setembro do ano passado, comparado com a queda anual de 1,1% constatada em agosto.

Com base nesses números, tudo o que podemos dizer é que houve algum fortalecimento durante o ano até setembro. Não temos idéia do que aconteceu em setembro, especificamente, nem mesmo entre agosto e setembro.

Dados de um ano inteiro podem ser ainda mais enganadores. Não engane a si próprio pensando que está recebendo informações sobre a situação atual da economia quando lhe dizem, em fevereiro, que o crescimento anual do PIB do ano anterior foi de 1,6%. Em uma comparação entre dois anos inteiros, estará faltando o momento crítico de um ano, tornando-a, provavelmente, a menos atual de todas as formas de cálculo citadas no jornalismo econômico.

Assim sendo, o que fazemos nessa situação? Uma possibilidade seria minimizar as defasagens usando movimentos de curto prazo – vamos dizer, de um trimestre para outro. Infelizmente, isso em geral exige dados ajustados sazonalmente, que nem sempre estão disponíveis. E esse fator aumenta a volatilidade.

Se for preciso recorrer a variações ocorridas ao longo de um ano inteiro, então deve-se, no mínimo, escolher uma forma de colocar as palavras que não camufle as defasagens. Na boa redação estatística, as defasagens são mencionadas de forma acurada. As matérias mais bem escritas sobre estatísticas não dirão que as vendas aumentaram 2% no segundo trimestre comparadas com o ano anterior ( ou ano-a-ano). Embora tenhamos afirmado antes que esse é um estilo aceitável, você poderá observar que pela frase entende-se que o aumento ocorreu no segundo trimestre, quando, na verdade, ocorreu durante o ano, até o segundo trimestre.

Depois dessas explicações, você talvez ache interessante rever os métodos para descrever as variações estatísticas discutidas acima.


CONVERSÕES

Existem dois problemas com conversões: a precisão com que calculamos a conversão, e a precisão com que a descrevemos em nosso relato. Em geral, não temos o suficiente de uma delas e temos excesso da outra.

Devemos começar tentando descobrir como a medida se converte exatamente e então arredondar essa conversão ao redigirmos a matéria, tentando igualar o grau de precisão àquele do número original.


Para cálculos precisos:

Use os fatores de conversão mais exatos que puder encontrar, de preferência com no mínimo quatro dígitos (ex.: 1 libra = 0,4536 kg)


A seguir, arredonde a medida:

Após calcular a medida utilizando fatores bem precisos, você deve arredondá-la mais ou menos da mesma forma que fez com o número original. A conversão publicada não deve ser mais precisa que isso ou não muito mais. Portanto, não escreva que a vila fica a 100 km de distância (62,139 milhas) da cidade. Seria suficiente converter para 62 milhas ou até mesmo 60, dependendo de quão exatos os 100 km são.

A menos que haja razão para se pensar que um número redondo (ex: 1.200) é exato e deve ser convertido com precisão, forneça a conversão com o mesmo número de dígitos significativos, ou um a mais.


ORÇAMENTOS DO GOVERNO

Sobre o que escrever:

O número mais importante em um orçamento do governo é, quase sempre, o saldo: positivo ou negativo. E essa deve ser, normalmente, nossa introdução. Para alguns países, por lei o saldo do orçamento deve ser zero. Somente nesses casos seria melhor concentrar-se primeiro nas despesas e receitas. E se o saldo for habitualmente zero, então diga.

O superávit ou o déficit é a diferença entre receitas e despesas

O saldo é o número mais importante, pois determina que quantia o governo precisa tomar emprestado para financiar seu déficit, e essa demanda extra por dinheiro pode acarretar aumento do custo do dinheiro, ou seja, aumento das taxas de juros. Por outro lado, se o orçamento do governo apresentar superávit, o governo poderá saldar sua dívida e isso poderá provocar a queda dos juros.

Contudo, nossos leitores não estão, invariavelmente, interessados apenas no tamanho do saldo, mas também em saber até que ponto ele difere das expectativas. Seria prudente, quando se trata de orçamento do Governo, conduzir uma enquete entre analistas para determinar a expectativa média e o grau de incerteza do mercado.

Lembre-se também que um orçamento é uma previsão sobre o futuro, não um relato sobre o passado. Portanto, a próxima questão é como o Governo espera alcançar o saldo previsto. Isso precisa ser explicado. A aritmética, que deve ser descrita em linhas gerais, se possível, é: o ponto de partida + medidas fiscais ou mudanças de política = saldo previsto.

O ponto de partida é qual seria o orçamento se o Governo não introduzisse novas medidas fiscais ou mudanças na política, como impostos novos ou alterados ou novas iniciativas de gastos. O ponto de partida sobe e desce de acordo com a situação da economia, pois uma economia fraca naturalmente gera menos receita em impostos. As pessoas pagam menos impostos quando são mais pobres. Se o Governo oferece seguro social, esse fator irá então exaurir ainda mais o orçamento quando o desemprego aumentar.

Indicadores ou mudanças na política são fundamentais em relatos sobre orçamentos. Se o Governo não tiver fornecido números exatos para seu indicadores, empenhe-se em dar aos leitores uma idéia do valor dos novos programas.

O programa de títulos ou empréstimos do Governo (valor que o Governo pretende tomar em empréstimo), quando existe, é muito importante para os interessados no mercado de títulos de dívida. Devem ser informadas emissões brutas, emissões líquidas (emissões brutas menos resgates) e eventuais indicações sobre vencimentos.

Lembre-se de incluir contexto que informe também ao leitor qual era, realmente, o superávit ou o déficit do Governo no ano anterior. Os governos são notórios por fazer previsões que apresentam saldos de orçamento melhores, mas nunca informar mais tarde se atingiram as metas previstas, ou qual foi realmente o superávit ou o déficit do ano em curso até o momento, ou do ano anterior.

Lembre-se também de que a maior parte dos governos adota o método de caixa e não de competência, como é o caso de muitas empresas, portanto os governos também podem – e geralmente o fazem – incluir recebimentos de capital "de uma só vez" como, por exemplo, receitas apuradas com privatizações (venda de companhia telefônica nacional, etc.) juntamente com receitas de impostos contínuos e depois afirmar que o governo tem excedente de receitas em comparação com os gastos.

Como relatar esse tipo de assunto:

Os valores fiscais são, quase sempre, dados de fluxo (ver seção sobre Conceitos Básicos acima). Portanto, você deve especificar o período relativo a todos os gastos, receitas e saldos. O que se segue está errado: O governo anunciou novos benefícios da Previdência que custarão $600 milhões. Esses $ 600 milhões serão gastos em um ano? Ou durante o período de duração do programa? É preciso especificar.

O período padrão que costuma ser mencionado é o de um ano. Mas um sério complicador é que as medidas fiscais freqüentemente levam tempo para ser implantadas. Portanto, talvez você precise informar o valor da medida para o ano vindouro (período no qual o mercado está mais interessado) e o valor para o primeiro ano inteiro após a implantação ( fornecendo indicação mais exata de seu efeito fiscal).

Dados fiscais são extremamente sazonais, pois os impostos tendem a ser pagos pelas empresas apenas com relação a alguns dias ou meses do ano. Se você estiver lidando com números mensais, trimestrais ou números do ano até a data corrente, compare-os com os dados do mesmo período do ano anterior.

Um método preciso de efetuar uma análise fiscal entre orçamentos é comparar os dados dos últimos 12 meses ou dos últimos quatro trimestres ( supondo que você tenha à disposição atualizações mensais ou trimestrais do orçamento). Essa análise de 12 meses corridos elimina, em grande parte, a sazonalidade. Assim, você terá condições de comparar a receita dos doze meses encerrados em agosto com aquela dos 12 meses encerrados no final de julho, minimizando assim as defasagens.

Expresse os dados como porcentagem do PIB, medida que imediatamente significa alguma coisa para as pessoas que não acompanham de perto as finanças do país.

As tabelas são muito úteis em relatórios fiscais e, quando apropriado, devem ser usadas.


CONTABILIDADE DE RELATÓRIOS SOBRE GANHOS DE EMPRESAS

Os jornalistas da Reuters não precisam ser contadores, mas precisam estar familiarizados com a linguagem da contabilidade e ser capazes de interpretar uma demonstração de lucros ou um balanço para que tenham condições de relatar, de maneira precisa e imparcial, o desempenho da empresa.

Anexo encontra-se resumo dos principais termos da terminologia contábil tradicional baseada nos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos internacionalmente (GAAP). Incluímos também a terminologia usada pela First Call, empresa de consultoria que presta serviços à Mesa de Negociação de Ações da Reuters em Nova York e a muitos outros analistas norte-americanos na realização de levantamentos sobre expectativas de ganhos.

PRINCIPAIS ITENS DO BALANÇO A SEREM SALIENTADOS NAS MATÉRIAS DA REUTERS E TERMINOLOGIA-CHAVE

Para facilitar a análise – de cima para baixo – de demonstrativos de ganhos ou relatórios de lucros e perdas, mencionamos na tabela que se segue, REALÇADOS EM NEGRITO, os principais itens que nos interessam como jornalistas financeiros:

RECEITAS/VENDAS/FATURAMENTO: resultados recebidos de operações normais da empresa, em contraposição a ganhos especiais ("recebidos de uma só vez", provenientes da venda de ativos, como venda de terras, se a empresa for fabricante de um produto qualquer).

MENOS: CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (CMV) – Custos diretos da produção de bens, como custos de mão-de-obra e materiais, no caso de fabricantes.

LUCRO BRUTO: Lucro após dedução do CMV, mas antes da inclusão das "despesas indiretas", nem sempre divulgadas.

MENOS: CUSTOS DE COMERCIALIZAÇÃO, GERAIS E OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS (CCGDA) – Geralmente conhecidas como custos indiretos da empresa, nem sempre divulgados.

LUCRO OPERACIONAL: Lucro Subjacente ou Ganhos Antes de Juros e Impostos, às vezes denominados Ganhos Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Esta é a definição contábil tradicional para lucro operacional, e é usada por muitas empresas e analistas, mas não é a definição utilizada por consultores norte-americanos e pela First Call, citadas nas matérias originadas pela Mesa de Edição de Equities de Nova York.

MENOS: JUROS E IMPOSTOS

MENOS: PARTICIPAÇÃO DOS ACIONISTAS MINORITÁRIOS

LUCROS LÍQUIDOS/RENDA APÓS IMPOSTOS (nos Estados Unidos, às vezes denominados ganhos operacionais): Tradicionalmente, lucro líquido após impostos é o principal item de linha focado, pois é o item usado para calcular ganhos por ação, e é esse item de linha que a "First Call" denomina "ganhos operacionais" e que a Mesa de de Equities da Reuters em Nova York denomina OPER nos alerts da RT. Com esse termo, a First Call quer dizer "ganhos da empresa após impostos de operações em andamento e antes de itens especiais "recebidos de uma só vez",

LUCRO POR AÇÃO (LPA): lucro líquido após impostos, divididos pelas ações em circulação = LUCRO BÁSICO POR AÇÃO, na terminologia do Financial Accounting Standards Board (Conselho de Normas de Contabilidade Financeira) dos Estados Unidos. O lucro líquido após impostos, dividido pelo total de ações em circulação e ações que seriam emitidas se todos os títulos conversíveis ou opções de ações fossem exercidas = GPA DILUÍDO, nos termos da FASB.

OBSERVAÇÃO: Algumas empresas da Internet nos Estados Unidos, que ainda não são lucrativas de acordo com a GAAP ( Práticas de Contabilidade Comumente Aceitas), usam um protocolo contábil especial denominado CASH EPS (GPA). Às vezes também o chamam de ganhos operacionais. Normalmente equivale, a grosso modo, ao GAJIDA (ver acima) e exclui amortização de ágio resultante de fusões. Não é GAAP, mas a First Call e muitos analistas norte-americanos o usam para empresas da Internet.

ITENS ESPECIAIS: Às vezes denominados anormais, excepcionais ou extraordinários, são lucros ou custos especiais "de uma só vez", resultantes de reestruturações, fusões, litígios ou alienação de itens de capital, etc.

LUCROS LÍQUIDOS/RECEITA APÓS ITENS ESPECIAIS: O resultado final –lucro/prejuízo – líquido após desconto de todos os itens especiais ou "despesas de uma só vez", às vezes denominado pela First Call Renda Líquida Total Declarável, ou simplesmente NET nos alerts da Mesa de Equities da Reuters de Nova York.

(OBSERVAÇÃO: Quando a empresa não relata itens especiais, obviamente o item de linha LUCRO LÍQUIDO APÓS IMPOSTOS será o mesmo que o item de linha LUCRO LÍQUIDO APÓS ITENS ESPECIAIS, que a First Call denomina NET)

O fato é que os repórteres/deskers não devem ficar muito obcecados com a terminologia, mas devem pensar, conceitualmente, a que item de linha estão se referindo e devem incluir, nos Newsbreak e ATUALIZA, algum contexto que defina o que querem dizer. O termo ‘ganhos operacionais’, em particular, é usado por diferentes analistas para definir coisas diferentes em épocas diferentes, portanto os repórteres precisam se assegurar a que item de linha estão se referindo ao usar o termo ‘ganhos operacionais’ e precisam deixar claro para o leitor a que item de linha estão se referindo. Por exemplo: Se você estiver se referindo ao item de linha 3 acima, escreva lucro líquido após impostos ou lucro líquido após impostos e antes de itens especiais ou, se estiver usando os termos da First Call, ganhos operacionais após impostos mas antes de itens especiais. De forma semelhante, se você estiver se referindo ao item de linha 5 acima, então escreva lucro líquido após itens especiais ou lucro líquido após despesas.


SOBRE O QUE OS REPÓRTERES DA RAM DEVEM FAZER SNAPS DE BALANÇOS DE EMPRESAS

ALERTS: Normalmente, os repórteres da Reuters devem incluir no snap o maior número possível dos itens que se seguem, à medida que são revelados:

Lucro Diluído por Ação – em geral abreviado como DIL EPS; Lucro Líquido Após Impostos – OPER, se estiverem usando a terminologia da First Call e houver itens especiais, ou NET, se estiverem usando a terminologia da First Call e não houver itens especiais;. Lucro Líquido Após Itens Especiais – NET, se estiverem usando a terminologia da First Call; Receitas ou Vendas – freqüentemente abreviado como REC ou VENDAS; Quaisquer outras notícias importantes, como mudança na perspectiva de ganhos anunciada pela empresa, mudança no alto escalão da empresa ou mudança de dividendos, etc. O QUE COLOCAR COMO LEAD EM NEWSBREAK E ATUALIZA:

O critério para notícias deve ditar qual é a informação mais importante e, conseqüentemente, o que os repórteres devem escrever na introdução (lead) de histórias locais, furos de reportagem ou atualizas. Houve queda/alta significativa no "lucro líquido após impostos" (OPER na terminologia da First Call) ? A empresa superou ou ficou aquém de suas expectativas de lucro em termos de ESP? Há grandes itens especiais que tornem o "lucro líquido após itens especiais"(NET, na terminologia da First Call), muito diferente do "lucro líquido antes de itens especiais" (OPER, na terminologia da First Call)? Em caso de dúvida, vá direto ao ponto, que é "lucro líquido após itens especiais" (NET, na terminologia da First Call); se não houver itens especiais, escreva na introdução "lucro líquido após impostos" (o que, como não existem itens especiais, também seria denominado NET pela First Call). Tradicionalmente, os analistas têm se concentrado no "lucro líquido após impostos mas antes de itens especiais" (OPER, na terminologia da First Call). Mas o boom de fusões e reestruturações da última década denota que muitas empresas estão se referindo a "itens especiais" quase todos os anos, portanto até mesmo o Wall Street Journal está cedendo à tendência de se referir a "lucro líquido após itens especiais". (NET, na terminologia da First Call). Porém, se você realmente fizer o lead com algo que não seja o ponto principal, precisará então incluí-lo em algum outro lugar do Newsbreak.


DIRETRIZES GERAIS PARA REDIGIR HISTÓRIAS SOBRE GANHOS DE EMPRESAS

O que se segue é um exemplo de como redigir uma notícia ou atualiza de ganhos de grandes empresas norte-americanas. As práticas contábeis variam mundo afora, mas a estrutura geral das histórias de ganhos de empresas deve ater-se a um padrão.

Os principais objetivos são:

Agregar valor a anúncio de uma empresa, fornecendo análise e contexto. Escrever para o leitor instruído que poderá obter as notícias que lhe interessam a partir da tela da RT, de sites da Internet ou de jornais como o Wall Street Journal, o Financial Times de Londres ou o Business Times de Cingapura. Para que o leitor obtenha rapidamente o Newsbreak e o Atualiza, devemos procurar noticiar o Newsbreak dentro de 15 minutos após o último snap e procurar noticiar o Atualiza dentro de 30 minutos após o Newsbreak. Matérias introdutórias e máscaras:

Uma das maneiras de alcançar nosso objetivo de enviar furos de reportagem no espaço de 15 minutos após o envio do alert ou de um atualiza no espaço de 30 minutos após o envio do alert quando estamos tratando de ganhos de grandes corporações é escrever uma matéria introdutória ou de antecipação dos ganhos, citando expectativas de analistas. Trechos dessa história poderão ser então utilizados como pano de fundo, cortadas e coladas no furo de reportagem e no atualiza quando os ganhos reais forem divulgados. Outra forma é escrever um modelo ou proforma de furo de reportagem antes da divulgação dos ganhos, usando expectativas de analistas e resultados do trimestre anterior, do semestre ou do ano anterior da empresa como pano de fundo.

O preparo, que deve ser feito com bastante antecedência, de modelos e material de pano de fundo para relatos sobre ganhos alivia parte da pressão sofrida pelos repórteres quando os números são publicados. Sempre que necessário, as equipes de reportagens devem trabalhar em conjunto para que, enquanto um repórter estiver ao telefone com vários analistas ao mesmo tempo após divulgação de declaração à imprensa, outro repórter estará escrevendo o primeiro Atualiza.

Contudo, devemos permanecer flexíveis, pois o jornalismo robotizado, pré-preparado, pode nos colocar em dificuldades caso uma declaração traga surpresas. Lembre-se de que um modelo para uma empresa da Internet, que gera receitas e despesas mas poucos ganhos, terá aparência muito diferente do modelo para uma empresa madura, pois os analistas estarão se concentrando no fluxo de caixa no caso da primeira (EBITDA) e no lucro líquido após juros e impostos (às vezes denominados ganhos operacionais) no caso da última. A questão chave é: que números o mercado está observando mais atentamente?

Exemplo de modelo para Newsbreak:

Esperamos que o exemplo que se segue de uma história fictícia desmembrada ajude na preparação de proformas ou modelos de Newsbreak com antecedência, sempre que possível.


BC-FABRICAÇÃO DA BITS AND PIECES (URGENTE)

…Bits and Pieces (RIC) – ganhos no 4o trim. aumentam xxx%, superando as expectativas

Nova York, xx Jan. (Reuters) – A Bits and Pieces Inc., maior fabricante de artigos genéricos do mundo, declarou que os ganhos fiscais da empresa no quarto trimestre ultrapassaram os esperados xxx%, refletindo impostos mais baixos e crescimento da demanda por seus produtos na Internet.

O primeiro parágrafo deve definir a empresa – se é a maior do setor, dos Estados Unidos, etc. Deve também conter o mínimo possível de números; de preferência, mencione apenas a mudança percentual. Coloque os números dentro de um contexto – se ficaram acima ou abaixo das expectativas. E, o mais importante, inclua as razões pelas quais o lucro ficou acima ou abaixo das expectativas. O preparo desse tipo de material pode envolver riscos, a menos que você conheça a empresa muito bem, portanto talvez seja necessário ler antes a declaração.

O fabricante da linha de produtos Wodget and Bodget, sediado em Nova York, declarou que os ganhos operacionais da empresa, excluídos itens vendidos de uma só vez, tiveram alta/queda de $ xxx milhões, ou xx centavos por ação, em comparação com os $ xxx milhões, ou xx centavos por ação, no mesmo trimestre do ano anterior. O segundo parágrafo também pode ajudar a definir a empresa – é muito importante que os nomes das marcas apareçam em lugar de destaque – Lembre-se de que nomes fazem notícias. Via de regra, os números que estamos focando devem aparecer antes dos itens vendidos de uma só vez, caso haja algum em qualquer dos períodos.

Os analistas estavam prevendo xxx centavos, em média, por ação, de acordo com as previsões da First Call/Thompson Financial. Porém, as chamadas "estimativas de bastidores" entre os analistas previam algo entre xx-xx centavos, declarou o analista do setor de engenharia da Corretora Coveritall, Joe Blow, pouco antes de os resultados serem anunciados. O terceiro parágrafo deve conter uma comparação crucial com as previsões. Além das estimativas de conceituados especialistas em previsões, como a First Call, tente obter estimativas de outros analistas "de rua", denominados fornecedores de "números de bastidores" nos Estados Unidos. Isso é particularmente importante para algumas ações da área de tecnologia.

As ações da Bits and Pieces estavam sendo negociadas xxx acima/abaixo em xxx, acima/abaixo de um ano/três meses atrás, cerca de 5/10 minutos após o anúncio. Antes do anúncio, tinham estado xx em xxx acima/abaixo.. As ações da empresa subiram xx% até o momento este ano, o dobro do aumento de sua principal concorrente, Widget and Widget.com, em face das expectativas de sólidas vendas na China após assinatura, em novembro, de contrato de fornecimento anual de $ 2 bilhões em artigos genéricos. O quarto parágrafo – gráfico do preço das ações. Devemos acrescentar contexto em termos de "mais alto ou mais baixo desde...", quando apropriado. Podemos também acrescentar volume para a negociação das ações, quando apropriado. Esses gráficos com informações adicionais podem ser preparados antes da divulgação – colocam os resultados dentro do contexto do setor, ambiente externo, etc.

A receita do terceiro trimestre aumentou xx%, atingindo $ x.x bilhões; no mesmo trimestre do ano anterior, era de $ x bilhão. No ano todo, o lucro da Bits and Pieces subiu de xx% para xx%, ou xx centavos por ação, em comparação com os $ xx, ou xx centavos, em 1999. A receita total do ano todo teve aumento de xx%, atingindo $ x.x bilhões. O quinto parágrafo. Os números da receita para o trimestre devem vir a seguir, a menos que sejam os números mais importantes, como às vezes acontece com empresas da Internet; nesse caso, devem ser mencionados no primeiro parágrafo. De forma semelhante, na América Latina, onde as taxas de juros e as moedas costumam ser voláteis, distorcendo números de ganhos após juros e impostos, os analistas tendem a se concentrar na medida do fluxo de caixa, ou lucro antes de juros, impostos, depreciação, ou amortização (EBITDA), portanto esses números devem aparecer no primeiro parágrafo. Devemos também incluir números do ano inteiro no Newsbreak e, ao mesmo tempo, dar ênfase aos números relativos ao quarto trimestre ou ao período mais recente.

Como relatar atualizações de ganhos:

Assim que estivermos livres do Newsbreak, devemos passar a completá-lo e transformá-lo em Atualiza 1. Poderia ser algo parecido com o que se segue:


BC-FABRICAÇÃO DA BITS AND PIECES (ATUALIZA 1)

ATUALIZA 1– ganhos da Bits And Pieces (RIC) aumentam com demanda pela Internet. (incluir citações de analistas e informações adicionais) NOVA YORK, xx jan. (Reuters) – Bits and Pieces Inc., o maior fabricante de artigos genéricos do mundo, informa que seus ganhos fiscais no quarto trimestre ultrapassaram os esperados 33%, refletindo taxas mais baixas e aumento da demanda por seus produtos pela Internet. "Estes caras estão se transformando rapidamente no Mac Donald’s do mundo dos produtos genéricos," declarou John Dull, um dos diretores da Materials Investment Inc, que administra $ 5 bilhões em fundos para materiais de construção."O vigor do crescimento de seus ganhos é particularmente surpreendente considerando o ambiente de altas taxas de juros em que estão operando." As chances de incluir rapidamente uma citação tão boa como essa em nossa reportagem são poucas, mas isso não deve nos impedir de tentar. Em nossas reportagens, precisamos incluir rapidamente comentários desse tipo para dar respaldo a um primeiro parágrafo e acrescentar colorido e credibilidade à história. Procure não usar citações que não tenham relação com o âmago da história ( nesse caso, ganhos mais altos que os esperados) ou que apenas repitam os fatos, ou usem exatamente a mesma linguagem do primeiro parágrafo. Às vezes talvez seja necessário fazer a mesma pergunta a uma fonte, de maneiras diferentes, para obter a citação de que precisamos.

O fabricante da linha de produtos Wodget and Bodget, sediado em Nova York, declarou que o rendimento operacional líquido do quarto trimestre encerrado em 31 de dezembro aumentou de $ 300 milhões, ou 13,3 centavos por ação, no mesmo trimestre do ano anterior, para $ 400 milhões, ou 20 centavos por ação. Os analistas estavam prevendo a média de 17 centavos por ação, de acordo com as estimativas da First Call/Thompson. Contudo, estimativas não oficiais mencionavam números entre 18-20 centavos, declarou o analista do setor de engenharia da Corretora Coveritall, Joe Blow, pouco antes de os resultados serem anunciados. As ações da Bits and Pieces estavam sendo negociadas a 3-3/4 pontos acima, a 52-3/8, a mais alta do ano, por volta de 5 minutos após o anúncio. Antes do anúncio, tinham caído até 2 pontos, chegando a ser negociadas a 50-3/8. As ações da empresa subiram xx% este ano até o momento, o dobro do aumento de sua principal concorrente Widget and Widget.com, em face das expectativas de sólidas vendas na China após assinatura, em novembro, de contrato de fornecimento anual de $ 2 bilhões em artigos genéricos. A decisão do Governo de reduzir as taxas sobre produtos genéricos processados nos Estados Unidos como parte da tentativa de evitar que empregos do setor de engenharia fossem transferidos para a Ásia ou América Latina também beneficiou a Bits and Pieces. O faturamento cresceu 20% – de $ 1 bilhão no trimestre anterior para $ 1.2 bilhão. O faturamento do ano todo da Bits and Pieces aumentou 15% – de $ xx, ou xx centavos por ação, em 1999, para $ xx, ou xx centavos. O CEO (Presidente Executivo) da Bits and Pieces, Jeremy Weasel, declarou que as perspectivas para 2000 são ainda melhores. "Nosso único problema no momento é contratar pessoal suficiente para lidar com a avalanche de pedidos", declarou. Ele descartou a preocupação de que os custos para enfrentar a crescente concorrência na Internet fariam diminuir a margem de lucro. "Na verdade, isso não terá impacto real em nossas custos totais ou ganhos por ação", acrescentou. Estamos incluindo aqui os comentários mais importantes desde a declaração dada pela empresa até o Newsbreak. Mantenha-se atento às perspectivas de ganhos, pois é provável que afetem o preço das ações tanto quanto o resultado real, e em alguns casos devem ser incluídas no furo de reportagem. Se não conseguirmos rapidamente uma citação de fonte independente para o primeiro Atualiza, podemos usar uma citação da empresa, como aquela sobre aumento de pedidos, mencionada no segundo parágrafo. O que não queremos são comentários feitos pelo CEO dizendo que a empresa obteve sólidos resultados, quando os analistas os consideram ruins.

Se conseguirmos soltar nosso primeiro atualiza, com 10 parágrafos objetivos, dentro de cerca de 30 minutos, teremos atendido satisfatoriamente a nossos clientes das telas do RT, deixado as estações de rádio, TV e a Internet satisfeitas e teremos maior probabilidade de atingir a mídia. Teremos, inclusive, aliviado parte da pressão sobre nós mesmos ao escrevermos os leads subseqüentes.

Outro lembrete quanto a flexibilidade: caso a empresa anuncie que o CEO renunciou ou que, a título de proteção, está declarando falência, naturalmente não podemos contar plenamente com o modelo.


AVALIAÇÃO DE EMPRESAS OBJETO DE FUSÃO

Normalmente, as empresas combinam o uso de duas ou três estratégias jurídicas básicas:

Aquisição de Ativos: A Empresa A pode adquirir os ativos ou negócios da Empresa B por meio de moeda sonante, ações, ou assumindo débitos, sem que a estrutura de participação acionária ou a estrutura administrativa da Empresa B sejam afetadas. Em geral, isso acontece quando uma empresa adquire uma unidade, subsidiária, divisão ou instalações fabris de outra empresa.

Fusão ou Tomada de Controle: A Empresa A compra, dos acionistas, a maior parte ou todo o portfólio de ações da Empresa B, em troca de moeda sonante ou ações da Empresa A. Além disso, a Empresa A poderá assumir parte da dívida da Empresa B, medida que beneficia apenas indiretamente os acionistas da Empresa B, pois, legalmente, são dívidas da Empresa B, não dívidas pessoais dos acionistas da Empresa B que estão sendo assumidas.

Quando a Empresa A adquire as ações da empresa B sem a aprovação da diretoria da Empresa B, a associação das duas empresas tende a ser denominada takeover (encampação ou encampação hostil) ou, nos Estados Unidos, encampação por procuração) (proxy battle).

Quando a Empresa A adquire as ações da Empresa B com a aprovação da diretoria da Empresa B, a combinação costuma ser denominada fusão, mesmo se a Empresa A continuar, de fato, a ser a dona ou principal acionista da Empresa B. Esforços de relações públicas podem ser feitos por ambas as empresas para denominar a negociação fusão de iguais, mas a fusão de empresas na base de 50-50 é rara e, em geral, é denominada joint venture. Em geral, uma das duas empresas emerge da negociação como parceiro dominante, seja porque detém a maior parte do capital acionário ou porque passa a controlar as posições chaves no Conselho Diretor ou na diretoria executiva após a fusão.

Combinação de Interesses/Consolidação: as Empresas A e B, que pretendem se fundir, criam uma nova empresa, a Empresa C. A Empresa C emite então ações para os acionistas das Empresas A e B, em troca das ações destas nas Empresas A e B. Os antigos acionistas das Empresas A e B são agora proprietários da Empresa C que, por sua vez, é proprietária das Empresas A e B. Em alguns países, como nos Estados Unidos, há uma vantagem contábil quando se faz uma fusão usando essa estratégia legal, devido às normas contábeis relativas à amortização do ágio.

Há três maneiras principais de estimar o valor de empresas objeto de fusão: 1) usando o método de preço de aquisição, 2) capitalização de mercado combinada, ou 3) ativos combinados.

Contabilidade de Aquisição: Este é o método preferido nos Estados Unidos e está se tornando regra internacional. Basicamente, reconhece que a maioria das negociações chamadas fusões são, na verdade, aquisições de uma empresa por outra. Quando a Empresa A adquire as ações da Empresa B com a aprovação da diretoria da Empresa B, a associação tende a ser chamada de fusão, mesmo que a Empresa A esteja, de fato, se tornando a proprietária ou principal acionista da Empresa B. Normalmente, uma das duas empresas sai da negociação como parceiro dominante, seja porque detém a maior parte do capital acionário e/ou porque, após a fusão, passa a controlar os cargos chaves no Conselho Diretor ou na alta administração.

O método de aquisição busca o valor em espécie, ações e/ou dívidas assumidas que a empresa compradora está se oferecendo para comprar com a finalidade de se tornar o acionista majoritário da empresa-alvo ou da nova empresa, se uma terceira empresa for criada para assumir o controle das duas empresas objeto da fusão. O valor em questão é o valor da transação, não o valor que os acionistas poderão estipular para as empresas como um todo após a conclusão da transação.

O repórter deve informar ao leitor o valor das partes componentes da transação ou da oferta, ou seja, deve especificar o preço da aquisição em termos do valor em espécie e em ações a ser oferecidos e o valor da dívida a ser assumida. Além disso, se possível, devem também tentar fazer com que as empresas ou analistas estipulem um valor total para a oferta ou transação que agregue as ações oferecidas e a dívida assumida.

Como Calcular o Valor da Oferta

Vamos tomar o exemplo da Empresa A, que oferece três de suas próprias ações em troca de cinco ações da Empresa B.

Colocando de outro modo, a Empresa A está dizendo que, de acordo com seus cálculos, cinco ações da Empresa B valem três de suas próprias ações. Sendo assim, precisamos obter o preço de fechamento das ações da Empresa A do dia anterior ( assim que a oferta for tornada pública, os preços das ações passarão a ser exibidos em todos os lugares e a negociação de ações das empresas em questão poderá ser suspensa).

Se o preço de fechamento do dia anterior for $ 20, a Empresa A está, efetivamente, oferecendo $60 (3 ações x $20) por cinco ações da Empresa B.

Obviamente, o próximo passo é dividir esse número por cinco para obter a oferta, por ação, feita pela Empresa A . Portanto: 60/5 ações = $12 é o valor oferecido por cada ação.

Por sistema só, esse número já é útil, mas para obter o valor da oferta será preciso multiplicar a oferta por ação pelo número de ações da empresa-ALVO.

Um predador, em geral – mas nem sempre – fará uma oferta que engloba todas as ações em questão. Mas é preciso verificar isso. Se a oferta não cobrir todas as ações, você deverá ajustar seus cálculos proporcionalmente.

Neste exemplo, se a Empresa B tiver um bilhão de ações em emissão e a Empresa A estiver fazendo uma oferta para comprar todas essas ações, o valor da oferta será então de $12 por ação x 1 bilhão; a manchete seria:

Empresa A faz oferta de $12 bilhões pela Empresa B

Moeda sonante e dívida

Às vezes, um predador poderá tornar sua oferta mais atraente incluindo o componente pagamento à vista, que é sempre expresso com base no preço por ação. Simplesmente acrescente tal componente ao valor da oferta por ação antes de multiplicá-lo pelo número de ações da empresa em questão. Nesse caso, se a Empresa A estiver oferecendo três de suas próprias ações mais $ 1 por ação, isso teria elevado o valor da oferta por ação para $ 13 e o valor total da oferta, para $ 13 bilhões.

Se o predador também estiver assumindo dívidas em sua oferta, o valor dessas dívidas também poderá ser acrescentado ao valor total da oferta, mas você deve salientar esse fato na primeira referência da matéria. Nesse caso, se a Empresa A estivesse assumindo $ 2 bilhões de dólares de dívidas da Empresa B, o valor da oferta poderia ser definido como $ 15 bilhões ou, de preferência, $ 13 bilhões mais $ 2 bilhões em dívidas assumidas.

Ofertas de ações como fração

Outra maneira de a empresa expressar uma oferta é como fração, conforme exemplificado na encampação da Astra pela Zeneca, em 9 de dezembro de 1998.

A idéia continua sendo chegar ao valor da oferta por ação e multiplicá-la então pelo número de ações da empresa em questão.

A Zeneca ofereceu 0,5045 de ações do novo grupo para cada ação da Astra. ( isso significa que o número de ações da nova empresa é igual ao número de ações da Zeneca, do contrário a oferta teria sido expressa da forma inversa).

O preço de fechamento das ações da Zeneca no dia anterior foi de 2520p, portanto o valor da oferta por ação foi de 0,5045 x 2520p, ou 1271p. Esse número, multiplicado pelo número total de ações da Astra, 1.337 bilhão, dá à oferta o valor de 16,99 bilhões de libras esterlinas, ou cerca de 28 bilhões de dólares.

Em ofertas desse tipo, qualquer pagamento à vista deve também ser acrescentado na fase de oferta por ação, e qualquer dívida assumida deve ser acrescentada na fase de oferta total.


RELATOS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

Por: David Rogers, Redator Chefe de Notícias

Data: 27 de janeiro de 2000

O Manual de Operações Editoriais fornece, na seção Formatos de Histórias (Capítulo 5), diretrizes gerais sobre como fazer relatos de mercado. Contudo, há algumas instruções especiais em anexo sobre como fazer relatos de mercados de ações, publicadas em janeiro de 2000 pelo Editor Mundial de Notícias, David Rogers.

O PRIMEIRO PARÁGRAFO

O primeiro parágrafo (às vezes denominado intro ou lead) deve incluir os motivos pelos quais o mercado está em alta/baixa, ou porque está ocorrendo uma mistura de ambas. Não podemos simplesmente mencionar o Que sem o Por Quê. O Por Quê deve ser a razão plena (sempre que possível) – dizer que as ações caíram devido às preocupações despertadas pelos comentários do Presidente do FED, Alan Greenspan, não seria o suficiente. De preferência, você deveria dizer: conforme declarações do Presidente do FED, Alan Greenspan, provavelmente o Banco Central norte-americano em breve aumentará as taxas de juros. No caso de aumento de taxas, você poderia dizer que o Fed aumentou as taxas de benchmark além dos 50 pontos-base esperados. Isso explica porque o fato é importante.

A intro deve, quando necessário, ser mudada no decorrer do dia, de acordo com as variações do mercado. Por exemplo, 10 minutos após a abertura do mercado, nossa intro poderia dizer que o mercado caiu, e as ações dos bancos foram as que mais perderam devido ao aumento das taxas de juros. Se uma hora mais tarde forem as ações de tecnologia que estiverem provocando a queda do mercado, devido a declaração de ganhos da IBM, devemos renovar nossa intro para refletir esse fato. Preste atenção aos índices do setor e às ações que mais se movimentaram em relação aos índices gerais de benchmark, a fim de determinar o que está movimentando o mercado.

Mas não mude completamente a intro apenas porque está preparando um atualiza. Se forem as taxas de juros que estavam movimentando o mercado às 10 da manhã e elas ainda estiverem movimentando o mercado às 16 horas, essa informação deve permanecer como intro.

No lead, o "O Que" deve, sempre que possível, fornecer algum contexto e perspectiva do percentual de alta/queda do mercado, e se isso faz parte de uma tendência. Em um relatório de fechamento, em vez de dizer apenas Os blue ships (títulos de elevada categoria) norte-americanos caíram..., diga: Os blue ships norte-americanos caíram pelo terceiro dia consecutivo, ou os blue ships norte-americanos caíram, provocando queda da Dow Jones Industrial Average (Média Dow Jones Industrial) pela quinta semana consecutiva.

Não coloque muitas idéias –o proverbial excesso de informações – na intro, pois isso confunde o leitor. Se vocês estiver fazendo um relato em um dia em que todos os índices estiverem caindo, não deve mencionar os setores em que estão em alta – essa referência pode ser feita mais adiante na história. Se determinados setores do mercado apresentarem altas e outros, por sua vez, baixa, explique a razão dessa alta/baixa. Se houver três ou quatro razões para que um mercado esteja em alta, escolha uma ou duas mais fortes e deixe as outras para o segundo parágrafo. Caso se trate de influências menos significativas, deixe para mencioná-las bem mais tarde na história.

Sempre que possível, a intro deve incluir referência a setores e empresas pertencentes àqueles setores que estão apresentando maior movimentação. Devemos lembrar que um mercado de ações diz respeito a empresas e que os índices são apenas ferramentas para indicar como um grupo dessas empresas vem se desempenhando. Muitas vezes vemos matérias de mercado que só mencionam o nome da empresa depois da segunda metade da história.

É melhor dizer As ações norte-americanas subiram, lideradas por bancos e companhias de seguros, ou as ações norte-americanas subiram, lideradas por bancos como Citigroup Inc. e JP Morgan, do que dizer apenas as ações norte-americanas subiram. Mais adiante na história poderemos então ser mais específicos quanto à movimentação dos setores ou das empresas.


COMO RELATAR GANHOS EM MATÉRIAS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

As tendências de ganhos ou expectativas de ganhos são os principais propulsores por trás dos mercado de ações, mas raramente são mencionadas nas matérias de mercado. Preste atenção às tendências nas previsões. E preste atenção especial se as previsões se confirmam perto da época de divulgação dos ganhos. Se houver mudança significativa, dê a notícia em história separada.

Os repórteres que fazem matérias sobre mercados de ações, para os quais existem poucas previsões disponíveis em nível de empresa, podem dar profundidade à sua cobertura com, digamos, apanhados trimestrais sobre expectativas quanto às tendências gerais para o mercado como um todo, ou sobre previsões de tendências quanto a determinados setores, como, por exemplo, bancos.


CITAÇÕES EM MATÉRIAS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

Precisamos de citações fortes; o ideal seria incluí-las logo no início do relato, na altura do segundo parágrafo, nunca escondidas na última parte da história.

As citações devem versar sobre o tema ou temas principais. Uma intro que diga que as ações caíram devido às notificações de ganhos, seguida de uma citação que fale sobre lucros ou preocupações com as taxas de juros não funciona.

Evite iniciar uma entrevista sem um conjunto de perguntas específicas, criadas especialmente para conseguir do entrevistado as citações mais exatas, vivazes e descritivas. As perguntas devem ser formuladas sobre os assuntos de interesse do mercado no momento – um determinado setor que está crescendo ou encolhendo, estudo econômico, megafusão, evento geopolítico, etc. Faça perguntas específicas e obterá respostas específicas.

As citações devem acrescentar colorido. Precisamos saber reconhecer citações fortes, que realmente dêem vida e credibilidade à história. Nossa primeira citação não deve meramente repetir as palavras da intro. É preferível salientar uma citação de fonte que realmente aborde o assunto do que escrever uma frase desconexa incluindo tal citação.

Um parágrafo com citações que comece com: "O Fed aumentou as taxas e isso realmente revelou os realizadores de lucro", disse o analista Joe. "A América empresarial vai realmente começar a gemer em virtude desses altos custos dos empréstimos", seria muito melhor sem a primeira parte, que nos diz algo que já sabemos e cita um termo de mercado (realizadores de lucro) que não acrescenta muito ao nosso conhecimento e, certamente, não acrescenta cor nenhuma. Se formos mais seletivos, as boas citações terão impacto muito maior.

Procure, sempre que possível, dar uma indicação de que estamos bem "por dentro" do mercado –– que não estamos em outro mundo ao escrevermos nossos relatos. Nossos clientes profissionais verão que estamos "ligados", e os consumidores em geral terão a impressão de que estamos na linha de frente. Por exemplo, quando um profissional da Wall Street se refere às semanas que antecedem a época da divulgação de ganhos de uma empresa como "período de confissão" isso é uma citação que acrescenta cor que vale a pena ser usada. Porém, procure usar o jargão do mercado apenas ocasionalmente, pois alguns termos por si só já são de grande efeito, e o exagero põe fim ao objetivo pretendido.

A fim de ampliar nosso foco sobre o lado comprador e acrescentar credibilidade, devemos tentar conseguir pelo menos uma citação de um gerente de capitais para ser acrescentada à conclusão de nossa história principal. Conseguir que o lado comprador nos diga o que está fazendo com os bens que detém pode acrescentar cor a um relato sobre mercado e nos colocar mais perto do dinheiro. Se possível, devemos também lançar mão de histórias sobre nomes importantes – um relato que tenha citações de Abby Joseph Cohen ou de George Soros no segundo parágrafo provavelmente será mais lido que um relato que tenha uma citação de um tal Sr. Quotomatic da Corretora Rinky-Dink. A velha máxima do jornalismo: ‘Nomes vendem jornais’ aplica-se também a matérias de agências. Nosso mercado espera autoridade de nossa parte. Isso significa que nossas fontes devem ser conceituadas e vistas com respeito por seus pares.

Esteja preparado para descartar comentários de corretores e de outras pessoas que não resistam a exame minucioso. Só porque um corretor nos diz que o céu está azul não significa que devemos repetir esse comentário se achamos que o céu está mais para o cinza do que para o azul. Por exemplo, um declínio no preço do dólar não é, necessariamente, um fator negativo para o preço das ações, portanto se uma fonte nos disser que é, compare seu comentário com aqueles de outras fontes.

Se você obtiver um comentário evasivo ou superficial, pressione por um followup para determinar se a fonte não está "por fora" ou simplesmente precisa de ajuda para completar uma observação ou raciocínio lógico.


RUMORES EM RELATOS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

(Ver a seção sobre Fontes, Capítulo 1, para instruções sobre como lidar com rumores.)


COMO RELATAR ÍNDICES

Use os índices como ferramentas de medição, não como substitutos para explicar como os preços da empresa e do setor mudaram. O índice principal e outros índices devem vir logo no início da história, mas procure acrescentar um contexto como "mais alto desde…" para evitar a contínua repetição de um modelo. Consulte também os índices do setor. Você poderá apenas fazer referência à porcentagem de aumento ou queda, em vez de mencionar números e percentuais. Por exemplo, diga O índice da Internet Street.com teve queda de 3.9%, em vez de ... caiu xx pontos, ou 3.9%, resultando em xxx.

Preste atenção aos pesos dos índices. Em alguns benchmarks de mercado uma ação, ou um punhado de ações, podem responder por apreciável quantia. Se você estiver a par dos pesos, quando e como são alterados, seu relato terá mais prestígio.


EVITE USAR MATERIAL DE POUCA RELEVÂNCIA

Devemos evitar, a todo custo, despejar vários parágrafos de texto tirados de um anúncio econômico ou relatório sobre o mercado de títulos em reportagens sobre mercados de ações sem explicar por que são relevantes. Em vez de dizer que o Índice de Gerenciamento de Compras NAPM baixou de 56,2 em novembro para 55,5 em dezembro e que o índice de preços subiu de 65,3 para 65,7, relacione as notícias diretamente às ações: Em dezembro, os números da Associação Nacional de Gerenciamento de Compras mostram vigor contínuo no setor norte-americano de bens manufaturados, o que dá novo impulso às ações norte-americanas.

Digamos que o aumento no rendimento dos títulos de 30 anos do tesouro alcançou o nível mais alto em dois anos, o que levou a um declínio de bancos como o Citigroup. Os bancos são cautelosos quando se trata de aumentar o rendimento de títulos porque rendimentos mais altos aumentam seu custo médio para tomar empréstimos. Uma frase dizendo apenas que o rendimento do preço dos títulos de 30 anos subiu de xxx para xxx, fazendo o rendimento cair de xx para xx, sem se referir às empresas, não é considerada esclarecedora.

INCLUA O PORQUÊ AO DETALHE

Ao mencionarmos empresas ou setores individuais, devemos tentar dar uma indicação da razão pela qual foram registradas grandes altas ou baixas. Uma lista de ações que caíram ou subiram sem uma frase ou relato que as entrelacem não é de muita utilidade para o leitor, além de tornar a leitura bastante enfadonha. Se dissermos que as empresas de construção civil e os materiais de construção caíram, devemos indicar a razão ( receio, talvez, de que as taxas de juros aumentem). Em geral, conseguimos alguma informação de um setor hot stock. Esse é mais um motivo para que os repórteres de mercados e setores procurem descobrir histórias de empresas e hot stocks do setor.


VARIEDADE DE VERBOS

PARA CIMA, PARA BAIXO, PARA CIMA PARA BAIXO. De todos os verbos da língua portuguesa, os verbos subir e cair provavelmente lideram o pacote de sinônimos disponíveis para descrever a flutuação das ações. Quando se fala em evitar repetições, isso NÃO significa exagerar ou distorcer a prosa para o bem da variedade. Significa a procura de uma linguagem forte, descritiva, que prenda o leitor e que, ao mesmo tempo, não seja rebuscada demais. Para ajudar nesse processo, considere a matéria da reportagem sob um prisma inovador, pensando nos mercados como objetos animados ou inanimados. Imagens virão à mente se considerarmos, por exemplo, a Dow ou a Nasdaq como um ser humano (correndo?, ofegante?, tropeçando?), um animal (juntando-se ao rebanho, sendo recolhido, tosquiado e tratado?), uma casa (sendo construída, com materiais espalhados pelo porão ou telhado, sendo demolida?) ou algo parecido.

Não exagere só para dar colorido ao relato. Reserve os verbos dramáticos para ocasiões dramáticas. Não transforme uma queda de 2% em ‘as ações despencaram’. Um aumento de 2% não significa que o mercado está ‘em forte alta’.

EVITE O USO DE JARGÕES OU EXPLIQUE-OS

Sempre que possível, devemos explicar os termos financeiros em linguagem simples. Por exemplo, não use a expressão fatores técnicos sem explicar o que significa. Tenha cuidado ao usar os termos profit-taking (realização de lucro) ou bargain-hunting (procura por barganha). Há um motivo para que os investidores realizem lucros e busquem barganhas, portanto vamos tentar explicá-lo.

NÃO SE LIMITE A FAZER UM RELATO, USE EXEMPLOS

Use exemplos para dar respaldo a seu raciocínio. Por exemplo, se dissermos que as ações caíram em meio a temores de que os ganhos no último trimestre de 1999 sejam menores que o esperado, devemos dar exemplos de empresas que publicaram previsões de lucro. Se dissermos que a especulação em torno de uma encampação está provocando a alta das ações de determinado setor, devemos indicar quem está encampando quem, e obter comentários de analistas/gerentes de fundos para dar respaldo à matéria.

DECISÕES SOBRE ALOCAÇÃO DE RECURSOS

Fique atento a decisões sobre alocação de recursos, tanto no que diz respeito a participações acionárias (entre países e entre setores) como a externas, entre participações acionárias e outros bens, como títulos. Se um importante fundo estiver mudando da área de tecnologia para a de cíclicos de consumo e isso se refletir nos preços, deve ser parte importante da reportagem sobre as ações. Quando o rendimento dos títulos e as taxas de juros aumentam, fazem com que a renda fixa/depósitos se tornem relativamente mais atraentes para os investidores, particularmente se houver preocupação com a retificação ou quebra de um mercado de ações, e nosso relato deve refletir esse fato.

INDIQUE OS POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

Indique o que poderá vir a ocorrer, principalmente quando o mercado não estiver apresentando grandes mudanças. Conseguir que analistas e gerentes de recursos forneçam previsões sobre o rumo que o mercado está tomando e por que, que setores estarão a favor na semana /mês/trimestre/ano seguinte, etc., permite que nossos clientes adquiram valiosa percepção. É particularmente importante nos dias em que o mercado está, de certa forma, errático, ou seja, sem rumo determinado.

O MERCADO NÃO É UMA ILHA

Não escreva sobre mercados de ações como se fossem ilhas. Se o preço do petróleo estiver caindo vertiginosamente, essa queda afetará as ações de empresas de petróleo. O mesmo é válido para os preços de metais e mineradoras. O mercado de títulos está em constante mutação, e grandes quedas em outros mercados de ações podem também ser fatores importantes.

HOT STOCKS

Se uma ação estiver sofrendo alterações, verifique as ações do mesmo setor antes de fechar sua história sobre hot stocks. Não restrinja a checagem a seu próprio mercado – freqüentemente, ações setoriais sofrem alterações conjuntas ao longo de fronteiras regionais e nacionais.

Use o Reuters Graphics ao escrever sobre hot stocks para colocar a movimentação das ações dentro de um contexto, e forneça também eventuais alterações de preço entre determinados dias. Use a previsão P/Es para ações, setor e mercado, para deixar claros os motivos da movimentação.


FORMATO E FREQÜÊNCIA DE MATÉRIAS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

Não faz sentido esforçar-se na elaboração desse tipo de reportagem se os clientes não puderem encontrá-la ou se elas não aparecerem quando os clientes as procuram. Eis algumas diretrizes para mercados específicos:

Nova York, Londres, Tóquio

A pré-abertura é um dos relatos mais importantes que você escreverá durante sua jornada de trabalho. Procure por tendências nas negociações pré-mercado ou por indicações que o levem a grandes negociadores. Muitas vezes, a Instinet é valiosa fonte para essa pesquisa. Sempre que possível, concentre-se nas ações e setores que talvez sofram alterações. Os clientes querem atualização rápida quando o mercado abre, e também quando fecha. Procure obter atualizações relativas a cerca de cinco gráficos na tela, dentro dos quinze minutos da abertura ou do fechamento, fornecendo rápido resumo do que aconteceu e o porquê. Mas lembre-se que os primeiros movimentos nos índices de mercados de ações podem ser muito voláteis, particularmente se nem todas as ações integrantes de um índice tiverem começado a ser negociadas, e isso significa que às vezes não é possível discernir uma tendência logo de início. Sempre que possível, procure indicar o ângulo ‘que está por vir’ e, se puder, inclua uma citação interessante. Faça um atualiza completo e mais detalhado após o atualiza de abertura. Use snaps na abertura e no fechamento quando o mercado estiver turbulento, apresentando altas ou baixas históricas, e quando o mercado alcançar importante apoio ou pontos de resistência. Cubra os alerts com rápidos atualizas com tamanho aproximado ao de um Newsbreak. A codificação e a retranca de um Newsbreak devem ser combinados com o Editor Chefe regional do mercado de ações, mediante consulta ao redator de produtos de mídia. Faça pequenos atualizas freqüentes, à medida que as condições do mercado os justifiquem. Use o critério estabelecido para notícias – se o mercado mudar de direção ou se um determinado setor ou ação importante sofrer alterações bruscas, é hora de renovar o relato sobre tal mercado. O objetivo é estar à frente em seu mercado e tratá-lo como notícia. Se for notícia, não espere pela sessão intermediária, fechamento, etc.


Reportagens de Frankfurt, Paris e Europa Ocidental Pré-abertura, abertura, sessão intermediária, se justificada, e conclusão. Use as diretrizes de rapidez que se aplicam ao Newsbreak – a história deve ter cerca de 5 parágrafos, e deve ser exibida em 15 minutos. As reportagens cujo layout tenha pontos de bullet podem ser a melhor forma de conseguir essa rapidez. Discuta o formato, slugging e codificação das reportagens com o redator-chefe Regional de ações. Seguindo a pré-abertura, pode-se fazer uma breve abertura e fechamento. Essas matérias devem chegar às telas e aos clientes de mídia. Certifique-se de que estão codificadas para tal. Não envie à mídia histórias cujo layout inclua pontos de bullet. Elabore outros Newsbreak ou reportagens com bullet-points à medida que o mercado os justifique. Use os critérios estabelecidos para notícias – se o mercado mudar de direção, ou se um determinado setor ou ação importante sofrer brusca movimentação, é hora de renovar a reportagem sobre o mercado. Em dias mais calmos, você poderá fazer um apanhado em cada sessão. Escreva uma reportagem mais longa após um Newsbreak, se a movimentação do mercado assim justificar.

Amsterdã, Atenas, Bruxelas, Copenhague, Dublin, Helsinque, Hong Kong, Lisboa, Madri, Milão, Oslo, Estocolmo, Sydney, Viena, Wellington, Zurique

Você deve redigir um texto de pré-abertura completo, mencionando os possíveis desdobramentos. Concentre-se nas perspectivas do mercado e em eventos que poderão afetar as negociações no decorrer do dia. Há algumas ações/setores a serem focados? Por quê? Se possível, forneça comentários sobre análises e gráficos. Qual é a faixa de variação do mercado, para cima/para baixo? Na abertura, apresente um relato em forma de Newsbreak ou layout com bullets, se a movimentação do mercado assim justificar. Caso contrário, apresente seu relato de abertura dentro dos 20 minutos após a abertura do mercado, durante o dia, e envie rápidos atualizas, se necessário. Exerça alguma reação frente à notícia. Não necessariamente um Newsbreak ou atualiza com pontos de bullet precisam ser seguidos de atualizas. Deixe o relato mais longo para quando você tiver algo importante a dizer. Isso provavelmente acontecerá na pré-abertura no caso de mercados maiores, ou mercados menores quando houver algo importante acontecendo. Precisamos de um relato de fechamento completo sobre todos os mercados; certifique-se de que esse relato está codificado para clientes de mídia. Se você estiver usando layout com pontos de bullet, veja as diretrizes de estilo no manual de editoração.

Outros mercados

Troque idéias sobre a freqüência e o momento oportuno de emitir reportagens com o Redator Regional de ações que, se necessário, consultará o redator de produtos de mídia. Siga as diretrizes sobre conteúdo – descreva o porquê, o que deve acontecer a seguir, que empresas e setores estão aquecidos e se movimentando.

TABELA DE REMISSÃO RECÍPROCA

Inclua sempre uma tabela de remissão recíproca bem elaborada em matérias sobre mercados, sejam elas furos de reportagem, reportagens com pontos de bullet ou em formato mais extenso. A matéria não deve ser longa (12 linhas, no máximo) e deve ser enviada SEMPRE que você encaminhar um texto pleno. Consulte o redator-chefe Regional de ações para ajudá-lo a compor essa tabela, caso você ainda não tenha uma. Certifique-se de anexar a tabela de remissão recíproca aos resumos das NOTÍCIAS MAIS IMPORTANTES sobre mercados de ações: TOP/E, TOP/STX e TOP/BIZ ("primeira página de negócios"). A tabela deve incluir também o código de item a ela designado( o código designado ao item da matéria sobre o mercado de ações.) Certifique-se de acrescentar o código XREF como código de tópico ao enviar a tabela de remissão recíproca. A tabela deve ser encaminhada em tomada separada, para que não escape, inadvertidamente, ao longo da rede e vá para clientes de mídia.


CÓDIGOS DESIGNADOS PARA ITENS DE REPORTAGENS SOBRE MERCADOS DE AÇÕES

Os clientes do mercado financeiro usam códigos designados a itens (NICs) para localizar as reportagens que lhes interessam. Se você não usar esses códigos, os clientes jamais conseguirão localizar essas matérias. Use esse sistema de códigos em alerts sobre o rumo que o mercado está tomando e coloque legenda explicativa sobre os códigos usados, se você estiver planejando vincular ao alert o alinhador de cinco linhas da reportagem sobre o mercado ou uma reportagem completa.

Não use os códigos designados a itens em língua inglesa quando se tratar de reportagens locais ou reportagens sobre grandes mercados que você selecionar e reenviar aos serviços nacionais. Se você fizer isso, muitos clientes externos ao serviço nacional não conseguirão recuperar a história.

Os editores da Internet usam nossas reportagens sobre mercados. Na maioria dos casos, selecionam essas reportagens por meio de serviços de mídia– e reclamam quando não conseguem obtê-las. Se você usar o cabeçalho padrão, não se esquecerá de enviá-las aos serviços de mídia.

Use RICs (Códigos de Instrumentos da Reuters ou símbolos teleimpressores) para TODAS as empresas na reportagem e no campo do cabeçalho. Use RICs para os índices.

Lembre-se de que o código de títulos STX não deve ser usado para itens de áreas do setor/ações recém-emitidas, nem tampouco para alerts investigativos. Deve ser usado em reportagens sobre mercados, notícias sobre inclusões/exclusões em listagens, notícias sobre alterações de índices e sobre a estrutura do mercado.

Código STX para suspensão de ações

Os alerts sobre movimentações de índices devem também ser incluídos no código de produtos MF.


DESVALORIZAÇÃO DE MOEDAS ESTRANGEIRAS

A desvalorização da moeda ocorre quando um governo cuja moeda está atrelada a outra moeda ou cesta de moedas, deliberadamente puxa sua moeda abaixo do piso de estabilização, ou toma a decisão de não evitar que os mercados ajam dessa forma. Freqüentemente, a desvalorização é confundida com depreciação. Depreciação é, simplesmente, a queda do valor da moeda em conseqüência da atividade do mercado; não é resultado de atos deliberados ou decisões do Governo, Tesouro ou Banco Central. Tanto as moedas flutuantes como as atreladas podem sofrer depreciação, mas somente uma moeda atrelada pode sofrer desvalorização. A revalorização é o movimento deliberado, por parte do governo ou autoridade monetária, para aumentar o valor da moeda, enquanto a apreciação é simplesmente o aumento do valor da moeda causado pela atividade do mercado.

A maioria das moedas são expressas ou negociadas em termos do número de unidades que um dólar americano pode comprar daquela moeda ex. US$1.00 = 326,00 liras turcas. ( As exceções incluem o euro, a libra esterlina, o dólar australiano e o dólar neozelandês, que geralmente são expressos do modo inverso, em termos de quantos dólares americanos uma unidade dessas moedas poderá comprar; por exemplo, uma libra esterlina = US$ 1.52.)

Mas a desvalorização ou revalorização de uma moeda normalmente é expressa como a mudança da porcentagem do número de dólares que você pode comprar com aquela moeda. Portanto, ao calcular um percentual de desvalorização, depreciação, revalorização ou apreciação, lembre-se que os negociadores e analistas estarão falando de uma moeda diferente do dólar norte-americano que está sendo desvalorizada/revalorizada, mas expressando isso em termos inversos. Por exemplo:

Para calcular uma desvalorização, pegue a diferença entre as duas taxas, divida pela taxa MAIOR e multiplique por 100.

EXEMPLO: A lira turca sofre desvalorização de 326,000 para 340,000.

Pegue a diferença entre as taxas (340,000 – 326,00 = 14,000)

Divida pela taxa MAIOR (14,000/340,000 = 0,0412)

Multiplique por 100 e o resultado mostrará que a lira foi desvalorizada em 4,12%.

Para calcular uma revalorização, pegue a diferença entre as duas taxas, divida pela taxa MENOR e multiplique por 100.

EXEMPLO: A lira turca sofre revalorização de 340,000 para 326,000 por dólar.

Pegue a diferença entre as taxas (340,000 – 326,000 = 14,000)

Divida pela taxa MENOR (14,000/326,000 = 0,0429)

Multiplique por 100 e o resultado mostrará que a lira foi revalorizada em 4,29%.

This page was last modified 14:58, 1 July 2008.

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